À minha mãe agradeço primeiro a vida
Vida essa que nem sempre quis e nem sempre quero
Mas que possibilita-me a escrita dessas palavras e os inúmeros prazeres que vivi
À minha mãe agradeço por todos os empenhos
Fui sua primeira filha e hoje entendo o quanto de tentativas e erros são as vivências da maternidade
E o quanto nos perdemos e nos achamos nos inúmeros afetos que nos preenchem nesse maternar
E dos encontros e desencontros com a nossa criança e o maternar que nos ofertaram
A minha mãe reconheço como fundamentalmente aquela que fez de mim gente e não pedaço de qualquer coisa.
Que investiu cuidados essenciais, muitas horas, choros, alegrias, vivências intensas que nenhum outro alguém representa.
E cujas faltas perdôo o mais que posso e busco confiar no amor que conquistamos.
À minha mãe devo também a falta, que me permite ser assim prenhe de um vazio que hoje mais admiro que rejeito, que faz parte do que eu sou. E que me afasta também de uma plenitude estranha, própria aos que não se separam nunca de suas mães.
Busco saber também que esse eu que sou e as marcas que tenho são uma mistura complexa do que ela me ofertou mas também das minhas leituras e possibilidades diante da existência e dos valores que dei a cada uma das minhas vivências, meus enigmas.
A minha mãe me cobria no frio como ninguém e esse aconchego guardo comigo, assim como no fundo é dela o colo que busco no obscuro da minha alma e no desamparo que me acompanha. A pergunta fundamental de todos nós: fui amada? Qual o meu lugar? O que queres de mim?
E sem resposta precisa mas com sentimento terno agradeço pelo lugar que tive e ainda tenho e respondo também de minha parte, já que talvez a pergunta lá ressoe: sim mãe, te amo muito!