Filhos nos ensinam muito. Já faz um tempo que me pergunto quando respondemos por nosso eu. Digo, sem olhar pra trás com estranheza para quem fomos, justificando nossos atos com falas como "eu era infantil/imaturo/covarde/egoísta/burro demais.
E agora temos mais um passo. Iuri tem 8 meses. Se interessa por tudo, agarra e puxa. E se ele puxa cabelos ou brincos dizemos que foi sem querer. Já o Davi, está aprendendo conceitos e o de ser "sem querer" está difícil. Se joga o prato no chão e se arrepende no segundo seguinte ele diz que "foi sem querer". Quando nos machucamos ou acontece qualquer acidente ele sempre se certifica: "foi sem querer, mamãe?". E uma hora ele aprende. Mas sinto que aprendi algo de errado.
Se o irmão pega um nariz e aperta com a unhas dizemos que foi sem querer e penso que seja porque ele não tinha como foco de sua ação ferir ou incomodar. É uma ação sem mediação de consequência. Mas quando Davi bate no irmão, teria ele consciência das consequências? Seria mais intencional que a atitude do irmão quando nos puxa o cabelo? Sabemos que ele ja coordena os membros com razoável destreza. Sabemos que ele conhece o conceito de machucar, de dor. Mas fica patente que há momentos em que ele age sem responder pelos seus atos. Bate, logo a seguir beija. Uma amiga dele que vem mordendo os colegas num episódio de ira conseguiu conter a mordida no outro e, sem saída para a descarga energética, mordeu a si mesma. Ela precisava descarregar e precisava morder.
E o quanto disso tudo vamos levando pela vida a fora? Quando respondemos por nós de forma integral? Respondemos? Penso no conceito freudiano de "acting out", quando se diz que o sujeito se apaga e o ato fala pelo sujeito, sem mediação. São tantas nuances as do nosso querer... que vida construímos? É essa nossa realidade aquela que verdadeiramente desejamos? É possível uma satisfação completa com as próprias posições na vida? E... foi sem querer?
domingo, 30 de junho de 2019
sábado, 1 de junho de 2019
Mãe de dois
Mãe de 2
No coração cabem os dois. A gente tem muito amor pra dar. Mas começa a complicar... sao 2 braços sim. Mas com o mais velho com quase 17kg, o colo compartilhado dura pouco. Logo de início saquei que dividir o mamá também era difícil. O mais velho pedia mil vezes mais. O corpo e a cabeça começaram a ratear. O mais novo precisa de leite e o peso dele que não chega. A ideia era brincamos juntos. Cada um na sua atividade. Mas tem sempre uns acidentes bizarros... o mais novo urra sem mim. O mais velho já fala, já brinca, já tem outros objetos. E precisa de mim pois ele é um mais velho de 2 aninhos, meu bebê. Hoje foi o fim da picada: mais novo doente, já viemos de dias mais tensos. Atenção desigual, saudades sem palavras, atos. E agora internação. Que situação... tive que ficar. O mais velho teve que ir. O sentimento é de impotência, de que falto. Ah se ele soubesse como é difícil pra mim e a saudade que tenho... do nosso tempo infinito, das nossas conquistas e brincadeiras. É claro que seguimos parceiros, mas eu sei que ele queria mais. E eu também queria dar mais.
Ah, meu Davi... como eu queria que você soubesse que falta você me faz. Com você atravessei da coisa à pessoa. Vi você surgir cada vez mais belo. Os seus interesses sempre genuínos aos quais sempre dei asas. As vezes que saímos só pra você ver o bip da garagem que abre, a sua alegria. Me tornei tão limitada... de repente. E aguardo e invisto que seu irmão também surja, e está surgindo. Nós dois sabemos como isso demora a passar ne? Essa passagem cujo resultado é um ser. Quando vocês forem 2 seres, almejo profundamente que possamos dividir nossos seres de forma mais ampla e que minha presença seja multiplicada em vocês e sejamos muito mais felizes. Que você entenda, caso seu irmão interne, que eu devo ficar com ele e que possa ser mais fácil pra nós dois. E que um dia ele cresça o bastante pra que, caso você interne, eu também possa lhe doar todo meu ser na sua recuperação. Que ele suporte ficar com outros amores, coma bem como você e aprenda a dormir. Estamos caminhando, filho. É uma caminhada tão árdua e tão bonita e desejo profundamente que nós dois possamos retomar de uma forma tao bela e intensa como sempre foi.
No coração cabem os dois. A gente tem muito amor pra dar. Mas começa a complicar... sao 2 braços sim. Mas com o mais velho com quase 17kg, o colo compartilhado dura pouco. Logo de início saquei que dividir o mamá também era difícil. O mais velho pedia mil vezes mais. O corpo e a cabeça começaram a ratear. O mais novo precisa de leite e o peso dele que não chega. A ideia era brincamos juntos. Cada um na sua atividade. Mas tem sempre uns acidentes bizarros... o mais novo urra sem mim. O mais velho já fala, já brinca, já tem outros objetos. E precisa de mim pois ele é um mais velho de 2 aninhos, meu bebê. Hoje foi o fim da picada: mais novo doente, já viemos de dias mais tensos. Atenção desigual, saudades sem palavras, atos. E agora internação. Que situação... tive que ficar. O mais velho teve que ir. O sentimento é de impotência, de que falto. Ah se ele soubesse como é difícil pra mim e a saudade que tenho... do nosso tempo infinito, das nossas conquistas e brincadeiras. É claro que seguimos parceiros, mas eu sei que ele queria mais. E eu também queria dar mais.
Ah, meu Davi... como eu queria que você soubesse que falta você me faz. Com você atravessei da coisa à pessoa. Vi você surgir cada vez mais belo. Os seus interesses sempre genuínos aos quais sempre dei asas. As vezes que saímos só pra você ver o bip da garagem que abre, a sua alegria. Me tornei tão limitada... de repente. E aguardo e invisto que seu irmão também surja, e está surgindo. Nós dois sabemos como isso demora a passar ne? Essa passagem cujo resultado é um ser. Quando vocês forem 2 seres, almejo profundamente que possamos dividir nossos seres de forma mais ampla e que minha presença seja multiplicada em vocês e sejamos muito mais felizes. Que você entenda, caso seu irmão interne, que eu devo ficar com ele e que possa ser mais fácil pra nós dois. E que um dia ele cresça o bastante pra que, caso você interne, eu também possa lhe doar todo meu ser na sua recuperação. Que ele suporte ficar com outros amores, coma bem como você e aprenda a dormir. Estamos caminhando, filho. É uma caminhada tão árdua e tão bonita e desejo profundamente que nós dois possamos retomar de uma forma tao bela e intensa como sempre foi.
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