Filhos nos ensinam muito. Já faz um tempo que me pergunto quando respondemos por nosso eu. Digo, sem olhar pra trás com estranheza para quem fomos, justificando nossos atos com falas como "eu era infantil/imaturo/covarde/egoísta/burro demais.
E agora temos mais um passo. Iuri tem 8 meses. Se interessa por tudo, agarra e puxa. E se ele puxa cabelos ou brincos dizemos que foi sem querer. Já o Davi, está aprendendo conceitos e o de ser "sem querer" está difícil. Se joga o prato no chão e se arrepende no segundo seguinte ele diz que "foi sem querer". Quando nos machucamos ou acontece qualquer acidente ele sempre se certifica: "foi sem querer, mamãe?". E uma hora ele aprende. Mas sinto que aprendi algo de errado.
Se o irmão pega um nariz e aperta com a unhas dizemos que foi sem querer e penso que seja porque ele não tinha como foco de sua ação ferir ou incomodar. É uma ação sem mediação de consequência. Mas quando Davi bate no irmão, teria ele consciência das consequências? Seria mais intencional que a atitude do irmão quando nos puxa o cabelo? Sabemos que ele ja coordena os membros com razoável destreza. Sabemos que ele conhece o conceito de machucar, de dor. Mas fica patente que há momentos em que ele age sem responder pelos seus atos. Bate, logo a seguir beija. Uma amiga dele que vem mordendo os colegas num episódio de ira conseguiu conter a mordida no outro e, sem saída para a descarga energética, mordeu a si mesma. Ela precisava descarregar e precisava morder.
E o quanto disso tudo vamos levando pela vida a fora? Quando respondemos por nós de forma integral? Respondemos? Penso no conceito freudiano de "acting out", quando se diz que o sujeito se apaga e o ato fala pelo sujeito, sem mediação. São tantas nuances as do nosso querer... que vida construímos? É essa nossa realidade aquela que verdadeiramente desejamos? É possível uma satisfação completa com as próprias posições na vida? E... foi sem querer?
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