Já estou indo. Já vou, já vou, tá? Eu sei que o corpo não espera.
São 23h e tudo foi normal, mas agora, 23, e a vida parou. 23 anos, 23 horas, 23. Preciso de uma folga para enterrar. Preciso folga, que parem a morte. A morte é delinquente (...) é bandida, é ameaça, é grito -Ah!!!
E por mais que eu proíba, ela insiste em matar. E mata de tristeza, da profunda tristeza da vida, do não saber fazer, amar, falar. De não saber perder. E nesse momento 23 da vida, antes que o dia acabe ou ainda cedo o bastante para não passar desprevinido pela vida - porque ela morre - se evidencia o amor. Amei? Amei o bastante? Fui amado? Fui amado o bastante? -essa também aparece. Tolice! Nunca fui amado o bastante - será que fiz tudo, que fiz o máximo, um máximo tao grande quanto o meu amor? Poxa... e morreu mesmo assim?
Como sou limitado diante da minha grandeza de ser. Limitado. Morte.
O limite é a morte. Mas estou vivo. Vivo! Eu não vejo a morte. Ela que me vê.
Eu vivo, o dia passa. Amanhece, anoitece. A vida passa. Mas é porque existe um momento 23 que eu não vou esperar. Não dá pra esperar. O corpo não espera, e eu já vou.
(...)
Eu vou cuidar do meu amor, que arde, que explode, que é vida. E que tem limite.
23/11/2009. Meu pai faleceu dia 28/11/2009.