segunda-feira, 4 de julho de 2022

Pensamento, voa!

 Ainda me sinto jovem demais, inexperiente demais, com poucas habilidades e certezas. 

Farei 36 anos esse ano. Encaro minha existência com razoável desprezo. Acho dificil arriscar outra existência mais digna pra mim mesma. Mesmo percebendo que estou na minha oportunidade de existir e que, por pior que seja o resultado, o máximo que me acontece é o não existir.

Noto que aprendi algumas coisas e que penso de uma forma da qual me orgulho. Sinto-me menos presa a questões aparentemente menores mas por ali algumas me abocanham. 

Entendi que entre eu e o dono do mundo ou o mais vil cidadão há muitas diferenças, mas que no básico somos a mesma coisa. Os anseios humanos, as fragilidades, o que importa... é igual. Mas diante das aberrações da realidade se faz diferente com isso que é o mesmo.

Esse amontoado de órgãos orquestrados que funcionam mais ou menos do mesmo modo e que nos governam, dos quais somos reféns e senhores, eles somos nós. E não somos. Ou somos? Essa fagulha que pensa e sente, dependente de um cérebro.

Quero que a vida me queira. Mas as vezes desdenho dela. E a quero. E nem tanto.

Eu quero andar com a minha confortável calça rasgada. Sentir-me bela com todos os pêlos que meu corpo me deu e sem me ferir para extrai-los. Curar-me de acometimentos com as ervas da natureza, sem laboratórios. Aprender a gostar dos alimentos certos, com os quais meu corpo se alegra em silêncio. Sou ludibriada pelos sabores que meu corpo rejeita secretamente e a longo prazo, mas se alegra imediatamente, efusivamente. Anseio por ser acolhida nas minhas incertezas, que são tantas. Quando olho pra mim vejo uma moça cheia de ideias, cheia de vontade, cheia de capacidades e querendo se dar. Insegura, cheia de medos, olhando pras incompetências que se estabelecem com inveja. 

E sonho com o momento em que eu me baste mais. Preciso que não seja mais só sonho. Tenho 36 anos, quase.

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