O sentido da vida...
Qual é?
Sem essa resposta, mais moça, pensava em dar fim à minha.
No entanto, também sem sentido para a morte, prosseguia. Eu fui inventando prazeres de viver.
Hoje meu pequeno, de apenas 8 anos, trouxe esse sem sentido a partir da dor. Vejo que para mim, talvez para todos, a dor é o que vem mesmo pôr a vida em cheque. Dor de existir. E a vida, quando é possível ser vivida, traz o prazer de existir.
O quanto queremos viver é que corre nas veias. Respiramos involuntariamente, o coração bate, bate, bate e tudo acontece a fim se que estejamos aqui. Alguns planejam intervenções para elevar o tempo de vida ao infinito. Nunca quis!
O quanto queremos morrer é o quanto não queremos a dor. Não sabemos ao certo sobre a morte e tudo o mais. Um tudo tão pra sempre. A vida, finita, não diz nada sobre o infinito da morte. Aquele que está garantido ao fim do processo. Tentando aproveitar o que há.
E o que há? Eis... O quê?
Vamos falar da falta?
O nosso desejo, aquele que nos mantém vivos, fala da falta. A falta, dor, que nos puxa pra morte. A vida é uma dança.
E, dançando há 38 anos, sinto o horror de ver meu filho olhando pra essa falta, dizendo do sem sentido da vida e no sentido que a morte faz ao zerar todas as dores.
Um lado meu se mata
Outro quer salvá-lo.
Um lado meu concorda
O outro acha absurdo.
Um lado meu tampona
Para que ele não veja o óbvio.
Outro lado deseja vida
Para mim e principalmente para ele.
Um lado meu se desespera
Sem a certeza de que saberei dar sentido
O outro pensa: é o que mais saberei
Um lado meu é traço suicida
O outro lembra que ele é puro signo de vida
E oscilando entre a vacilação e o acerto, vou rodopiando, pulando, levantando os braços, movendo a cabeça graciosamente, abaixando e levantando, e entendendo que ele vai cada vez mais entrar nessa dança do humano, abandonando sua criancice, seu mundo encantado e se assenhorando das verdades difíceis de suportar.