Nunca me entendi com as roupas. Não que eu quisesse ficar sem elas, eu gosto de roupas, de me sentir bonita, de estar arrumada. Eu gosto do conforto. Aí começa o problema... conforto e roupas e beleza. Também há de se pensar que sou mulher.
Quando eu era bem nova e não contava com muito mais de 10 anos eu ganhei uma roupa bonita, um conjuntinho laranja florido cujo short era soltinho como uma saia. Me sentia esvoaçante e bela. Meu pai reclamava.
Belo dia saí assim. Mas voltando pra casa numa rua movimentada de carros e erma de pessoas, um carro cheio de homens parou ao meu lado e uma mão bateu no meu traseiro. Nessa época eu começava a experimentar a realidade de ser mulher e viver assédio nas ruas. Nao entendia bem que era assédio, me sentia bela e desejada. Mas naquele dia eu só senti medo. E a culpa da roupa... porque eu já sabia que talvez não devesse usar aquela roupa. Não contei nada, mas aprendi a lição.
Muitas vezes quis comprar roupas e o pouco dinheiro disponível limitava minhas escolhas. As vezes eu ganhava rouoas e, para ter o direito de escolha, trocava tudo. E or vezes levei aquela calça liiinda, mas que nunca combinou com mais nada. Enfeitava meu armário e meu sonho de vesti-la. Também muitas vezes encaro roupas como uma utilidade menor e me sinto num gasto supérfluo se uma roupa custa mais do que eu ache que devo pagar.
Roupas devem cobrir, devem esconder, devem melhorar. Roupas são a embalagem mais significativa. Roupas que apertam, que valorizam, que incomodam. Roupas confortáveis, de casa, furadas. Roupas enfurnadas, que um dia quem sabe uso... roupas de gorda, de magra. A roupa que ficou apertada. A roupa encolheu! Ou eu engordei? Roupas que pinicam, que espetam. Roupas que são lindas, mas me deixaram com frio. Roupas pra dormir. Boa noite.
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