segunda-feira, 18 de maio de 2020

Filhos e o amor próprio

Filhos e o amor próprio

Nasce um filho. Que lindo!
É uma perfeição sem tamanho.
E se a boca for igual a do pai,
que detesta a própria boca,
no filho é maravilhoso demais
aquele detalhe que foi sempre hostilizado,
nasce no filho embelezado.
E assim, além do vínculo com o filho,
novo ser,
algo muda
no nosso modo de ver
a nós mesmos.
Quando a criança vai crescendo
começam os aborrecimentos:
vontade própria é um tormento!
E a criança grita,
como dizem por aí: faz pirraça.
E nós pais começamos a pensar bem
o que fazer com tal desgraça
Por aqui tentamos perceber
O que aquilo diz da criança
E a cada choro consentido
Que conseguimos ver sentido
E escutando e acolhendo
Tambem a nós nos recolhemos
Das crianças que fomos um dia
Nos olhamos com alegria.
E quando não somos tão felizes
E gritamos, estouramos
Também a nós mesmos açoitamos
Nao são meros deslizes
A dança flui no nosso pequeno
Não pondera os movimentos
Uns mais rápidos outros serenos
Uma plástica dos sentimentos
Livre livre livre
Que assim ele se preserve
Que o olho do mundo lhe seja mais leve
E possibilite a ele a espontaneidade
Pois nos roubaram a liberdade
Tornaram feia, sexuada, inválida
E vendo-o tentamos resgatá-la
Mudamos nossa voz
Arqueamos nosso corpo
Educamos nosso olhar
E recebemos a nós mesmos
No que somos e no que fomos
Psiquê e organismo





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