Se tem uma experiência que nos coloca em xeque o quanto podemos ser especiais pra alguém, essa experiência é a maternidade. É muito rápido que podemos ver o quanto que só serve a gente, o quanto as nossas dimensões são valorizadas: nossa voz, nosso colo, nosso carinho, nossa presença. A mãe é o conforto, a segurança, um tudo para seu filho.
E com o ingresso na escola, passamos por uma experiência muito bonita, óbvia porém que é muito digna de nota. Quando juntamos os pequenos num grande grupo, cada um deles tem o seu adulto de estimação. Ali, as mães e pais, todos presentes e capazes dos cuidados de uma criança. Ali as crianças, aprendendo a conviver no mundo e prescindir um pouquinho de seus pais. E se, num instante, ele perde seu responsável de vista cai em prantos, se desespera e nada nem ninguém é capaz de preencher aquele lugar. Se ele cai, se se machuca, todos os presentes são capazes e experientes nos cuidados, mas não servem. Cada miudinho tem sua referência.
E aí pode ficar parecendo que isso é uma ilusão, que na verdade pais e filhos são curingas e que a troca dos fatores não altera o produto. É o que comédias as vezes põe em cena: só muda o endereço.
Mas... não creio. É mesmo uma relação de muita intimidade. É muita dedicação, essa relação tão primordial. E o encaixe dos corpos é único, o tom de voz é único, a perspectiva de vida é única.
E crescemos continuando nessa busca dos afins. E se algo nos acontece, há aqueles a quem confiamos a especial tarefa de nos dar colo, de nos reconhecer nas nossas particularidades. E, de repente, poderia parecer que é tudo gente, tudo igual. Não é. "Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez dela tão importante".
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