Meu pequeno maior filho, o que quando tinha dois anos se tornou grande, afinal agora havia seu recém-nascido irmão, está percebendo com bastante clareza o valor de coisas e pessoas. Começo a perceber que em breve ele conseguirá ver beleza na velhice embora tanto se faça para que ela seja precarizada. Já tem um tempo que me diz que pessoas são mais importantes que coisas e com isso entende que seus objetos lhe estão à serviço. Às vezes preciso lembrar que também devemos cuidar das coisas, mas confesso um gosto tremendo quando ele me mostra a blusa absolutamente cheia de terra com orgulho e dizendo: "essa blusa conta a história de um tombo meu". E olho e ouço e lavo... pois já contou e já podemos viver novas histórias. Mas há histórias que nem sempre basta lavar. Ainda tenho roupas furadas pelo dente do cão que avançou sobre mim. Uso, gosto da blusa, conto a história do furo não remendado por mim. Não uso na rua, guardo para a minha intimidade.
Vejo ele, meu filho, tão safo, tão capaz de dar tchau a um objeto ou a me dizer que ele ou a diversão dele ou o que importa pra ele é sempre mais importante que qualquer objeto. Quero cada vez mais sentir-me capaz também. Receber de meu filho as minhas próprias lições e deixar pra trás objetos que não me servem mais.
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