sexta-feira, 21 de abril de 2023

Eu canto, tu cantas

Hoje estou correndo. Estou com pressa. Já é amanhã. Tenho que arrumar. Tenho que limpar. Tenho que lavar. E tenho filhos. Já era hora deles dormirem e eu apressada e precisando ser rápida.

E então me irritei internamente um pouco com a exigência de que precisa ser a mamãe. Tenho coisas a fazer.

Parei. Respirei. Eles estavam exaustos, ontem dormiram tarde e, portanto, dormiram pouco. Já tínhamos apagado umas pequenas labaredas... e entendi que melhor pra mim era ir eu mesma.

E apaguei as luzes, e dei neles um beijo e boa noite. E respirei fundo, acalmei minha alma e iniciei a cantar Cazuza. Depois migrei pra um ponto de umbanda que fala das rosas. E então Cidade Negra. Cantei ainda Leva no seu bumbar e fiquei saudosa do meu pai.

Enquanto eu estava ali, me acalmando do tanto de coisas que eu tinha pra fazer e escolhendo as músicas que eu gostaria de lhes entregar hoje, percebi o presente que dava a mim mesma a cada dia que podia dedicar uns minutos a cantar pros meus pequenos. O quanto aquele momento diferia de todo o resto dentro de mim. E agora me pergunto onde ou pra quem vou cantar quando eles prescindirem de mim para adormecer.

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