terça-feira, 22 de agosto de 2023
Tolerância às pessoas
segunda-feira, 21 de agosto de 2023
Famílias: não ditos e malditos
Tem duas formas de se relacionar que fazem marca.
Uma dessas famílias grita toda sorte de pensamentos odiosos. Quando fica irada põe pra fora expurgando e depositando sobre seu interlocutor toda sorte de dejetos. Depois diz que era besteira, que não pensa aquilo, que falou por impulso.
Mas, tendo dito, afirmo que pensa sim. Claro que aceito que aqueles ditos sejam uma parcialidade a respeito do outro, que além daqueles horrores, também existem as faces adoráveis, as quais se ama.
Tá tudo exposto, muitos nomes são dados dando um contorno claro àquele lado que ninguém quer ver. E, mais ainda, se vê além do que tem, deixando o sujeito crente de deméritos nem sempre justos. Além da confusão criada quando o outro lhe nega essa verdade dizendo que não era bem isso.
A outra família não ofende. Guarda e oculta seu ódio que, por estrutura, está lá. Transmite por baixo dos panos seu veneno, disfarçado de afeto positivo e, às vezes, até de técnicas não-violentas na sua comunicação. Respira muitas vezes e oculta do outro, e às vezes de si mesmo, o ódio, horror.
E me pegunto sobre as marcas disso. Acredito que as duas formas de relacionamento deixam marcas. Faz parte do impossível de não frustrar, não traumatizar. Se de um lado a pessoa que recebe as ofensas tem registrados os nomes que lhe deram, do outro a pessoa fica com a incógnita. Ela sabe seu demérito, ela percebe o lugar de insucesso, mas esse nome não lhe é dado com clareza, ela própria procura os contornos e se pergunta - ou às vezes afere - seu lugar pro outro.
E, sobre essas formas de se relacionar, não tenho uma clareza evidente a respeito de uma hierarquia entre elas. Penso se, na verdade, importa mais a carga que a coisa... mas opto, no meu íntimo, pelo cuidado, acreditando que aposto mais nos afetos positivos e reforço aquilo que acredito, procuro o domínio de meus montros e fantasmas. E também evito ser acusada de nomear coisas das quais não me orgulho, ou as quais acredito serem deletérias. Mas confesso uma admiração quando vejo todas as cartas dadas, expostas, a clareza que observo noutros ambientes. A céu aberto. Seria meu céu fechado?
Recebi alguns nomes. Eles me pesam bastante. Outros não sei bem, tateio. Outros passaram por mim, não os guardei. Nao fiz parte desses extremos. Nessas famílias onde se cospem as palavras, são tantas e tantas e gritam e riem. Acabam perdendo um pouco seu sentido e sua força. E nas que presenciei vejo claramente: o amor está ali.
domingo, 20 de agosto de 2023
Olha o que você me fez fazer!
Tem pessoas que nos tiram do sério!
Há quem se pergunte se elas gostam de apanhar...
E tem pessoas que batem. Que tentam se controlar, mas acontece.
Como assim: acontece?
Viram um monstro?
Saem de si?
Para onde vão?
Quem fica ali?
Perderam a cabeça...
E ficou apenas o resto do corpo.
Um resto que bate.
Mas também... passaram do limite.
Fez que fez e deu nisso.
Não podiam ter feito isso.
E tendo feito não restou alternativas.
Não soube.
Prendam! Não pode, é proibido.
Proibido? Prendam? Mas eu amo...
Ama? Ama? Ama?
Que é o amor?
Isso não é amor!
O amor é bom.
Quem tem apenas o amor? Onde está amor, puro, sem a sua face odiosa?
Limite. Intolerável. Impossível. Interdito.
[Eu tive uma vizinha que engravidou. Nasceu uma menina. A mãe passava o dia sozinha com sua filha. E ficava irritada e gritava muitas vezes. Ela chorava muitas outras. Culpava a filha pelo seu estado de espírito. Até o dia que ela fez alguma coisa. Eis uma frase propositadamente ambígua. A menina chorava muito. A mãe dizia: olha o que você me fez fazer. A menina tinha 2 anos.]