sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Fortaleza

 A vida nos oferece algumas bizarrices pra lidar. Quando meu segundo bebê tinha 2 meses aconteceu de aparecerem várias manchinhas em sua pele. As manchas, bem características, não nos chamaram muito a atenção mas logo nos pusemos a pesquisar sobre elas. Logo de cara foi assustador mas julgamos que o google era meio dramático e mostrava sempre as piores alternativas. Procuramos, procuramos... não havia muitas saídas. Entramos em páginas respeitáveis, centros de pesquisa de doenças raras. Era mesmo o que parecia ser: nosso menino tinha uma doença genética chamada neurofibromatose.

Quando tivemos essa certeza já sabíamos um pouco sobre a doença e o chão se abria sob nossos pés. Faltava ar, a pressão meio baixa, uma criança pequena muito ativa e feliz exigindo atenção pela casa e um bebê sendo amamentado. Quem nos apoia? Com quem podemos contar? Ligamos para aquele que sustenta tudo, supera tudo, olha para tudo com olhar positivo, tendendo ao melhor aspecto possível. Precisávamos daquela escuta.

Ele quis saber o quão certos estávamos da informação. Estávamos certos. Nos disse o que podia de melhor, nos garantiu que enfrentaríamos juntos o que houvesse pela frente. E, depois de desligar, a fortaleza se desfez, chorando sozinho nos fundos da casa.

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