terça-feira, 6 de agosto de 2024

Minha casa bagunçada

Minha casa me incomoda
Não a casa em si
Que as vezes também me incomoda
Mas sim as coisas na casa
As coisas que se acomodam em todos os móveis
Que se mudam e retornam
Nunca melhoram
As coisas com as quais me acostumo
Coisas feias, amontoadas
Que contam histórias de exaustão e desamparo
E também de sonhos, de lembranças, das quais não quero me desfazer
Vai que preciso delas...
Vai que me vou pro lixo junto com elas...
Arrumo, sobrevivo, funcionamos
Tem roupas lavadas
Tem comida todos os dias
Tem onde servir a comida
E compramos frutas, legumes e tudo o mais
Tem armários as vezes lotados
As vezes ociosos
Do tanto que mora fora deles
Lixo a beça, sempre há o que não foi
E roupas jogadas pelo chão e pelos cantos
Um desânimo e tanto
Mas mesmo no meio do caos
Se me convidam a ver o verde das matas
Ou sorrisos sobre uma bicicleta
Simplesmente vou.
Se o amiguinho quiser vir brincar e tiver um cantinho pra sentar
Eu digo: vem!
Se alguém me chama pra cantar
Se podemos ir ver alguém
Lá vamos nós, vou esperar a casa ficar boa?
E vamos sendo felizes nesse viver
Mas quando vejo a casa e seu estado
Que desgosto, que chato
Precisamos te dar um trato
Mas não é por falta de tentativas
Passam os dias de aula
Aposto que vamos resolver nas férias
E passam os dias de férias
Voltam as esperanças nos dias com aulas
Porque mesmo com um fazer constante
Tem as coisas que precisam ser repostas
E refeitas
São várias refeições no dia, a roupa que torna a sujar, que precisa ser guardada
Ainda que só façamos às vezes
E fica uma sensação ruim
De que isso nunca tem fim

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