segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Aventura

 Dizem que gosto de aventura. Eu gosto... aventura é estar vivo! Como não vislumbro o meu não-vivo, me aventuro. E menos do que queria. Há anos gostaria de ousar mais, rindo mais das idiossincrasias, não qualquer ousadia... E, ainda me preparando, fui curtindo outras aventuras:

Aventuro-me a atravessar ruas, apesar das velocidades e riscos inerentes, das cabeças ao vento,

Aventuro-me a manter um casamento, com seus bônus e ônus, investindo em relacionamento, construção, insistindo num necessário fantasiar,

Aventuro-me a criar filhos, às vezes quero desistir, às vezes insistir, às vezes modificar, e sigo entre flores e espinhos, num eterno semear cheio de fé,

Aventuro-me a ter bons amigos, sempre, para sempre, cultivar os laços apesar das distâncias, uma entrega da qual me orgulho e que sempre desejo e sempre falta,

Aventuro-me a ser psicanalista, a ouvir impossíveis, a encontrar subjetividades. Quero me aventurar mais, busco as incertezas onde mentiras sinceras me interessam,

E, por fim e não somente, me aventuro pelas montanhas. São, das aventuras, as menos aventureiras. Mais garantidas, mais certeiras, quase não me arrisco. Experiência que me dá vontade de voltar. As dificuldades vividas me mostraram que a superação é dentro de mim. A montanha ajuda. A montanha mostra. A montanha alimenta. A sede de seguir nos meus investimentos, as ponderações dos caminhos, do meu lugar. A certeza de um fim e da fração do planeta que ocupamos. Apenas ocupamos. Buscando a serenidade para  continuar e o vislumbre do não-ser. Se não for um vivo-morto, a aventura mesmo é viver. 22 de maio de 2024

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