sábado, 16 de novembro de 2024

Neurose?

Quando uma pessoa adentra nossa casa 
Entra na nossa vida 
Em particularidades, intimidades
E quando essa entrada é para um serviço 
Ela continua entrando em nós 
Sabendo de nós muito além do que saberia.

E quem recebe?
Recebe uma pessoa
Com suas histórias, com seu modo de ser
Que passa o dia nesse universo outro
Totalmente adverso das suas vivências 
Da sua própria casa

E ela nos dá o que tem
Seu ser, seu corpo, suas palavras, sua força de trabalho e de existir 
As vezes uma hostilidade
Natural do fosso entre os seres e as realidades
Que coexistem a partir de um contrato financeiro

Tenho uma amiga que sublima a hostilidade
É um doce, tem uma entrega linda
E outro dia caiu um ímã da patroa em sua bolsa
Nunca sumiu nada - antes que o leitor identificado ao patrão desconfie
Mas sumiu um ímã de marcar as emoções 
Quadrinho da criança da casa
E estava na mochila dela
Achou, devolveu, poderia estar tudo certo
Sintomas: insônia, ansiedade
Vida que pára, o que eu faço? Como me vêem?
Poderíamos apenas dizer que é neurose dela
Ora bolas! Se ela sabe que não fez nada...
Mas como ocupar esse lugar?
De estar na casa do outro sem intimidade 
Sem que o outro saiba quem sou, minha verdade
Ocupando o lugar de quem quebra, quem rouba, quem perde 
Relação que já sai de um ponto de desconfiança 
De quem está lá por pouco, porque precisa
Que não é visto por uma troca justa mas por ser ajudado
Sendo que o injusto certamente é o valor pago 
Que não sustenta quando o corpo, gasto,
Precisa de remédios, médicos, descanso
Cuja realidade da qual se reclama
Se mantém também pela remuneração 
Que não permite que a pessoa
Mude também a própria realidade
Tendo a chance de ter um carro, se desejar
Passando a mais estudo, mais posses, mais proximidade 
Da casa na qual adentra pra trabalhar
Para poder fazer frente a essa relação desigual 
Mais segura de si e de seus direitos

Fique bem, minha querida!
É só mais uma linha torta na vida.



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