Faz a pose de que vai pegar a lua!
Eu faço, faço sim
Era noite de chuva de meteoros
Não perco mais. Eu ia!
Tem quem não perca mais:
Éramos 4 adultos e 3 crianças
A chegada foi triunfal
Um pôr do sol por entre nuvens
O belo tão acessível
Mar de nuvens coloridas
Tons pastéis, aquarela viva
Embevecidos vamos chegando
Libera o peso
Escolhe o lugar menos desconfortável
Monta a barraca, arruma as coisas
O melhor lanche do mundo
Um vento frio que nos faz esquecer que é quase verão
Agasalha as crianças
Deita na pedra
Respira
Piquenique farto
Energia boa
Passou ali uma fraquinha
Uau! Você viu? Aquela foi grande.
Mas estava devagar
O céu claro pela lua cheia
E com nebulosidades
Mais aberto, mais fechado, olha que lindo!
Vamos dormir? Já é tarde, no meio da madrugada a gente volta!
Volta nada, um vento danado
Pouca visibilidade
Curtimos a noite difícil quentinhos na barraca
Será que a barraca resiste?
Dormimos mal
Rimos do desconforto
O sol nascente estava esplêndido
O vento era tanto que atrapalhava a guardar as coisas
Guardamos e, pesados, descemos
Um vento que quase nos levava
Impossível de explicar
Só vivendo na pele
E todos atentos e fortes
Temendo e respeitando
Chegamos cansados
Eu estava descabelada
Mas com beleza nos olhos
Aprendi a olhar que aqueles cabelos
Não são tão apresentáveis
Daquele jeito não são belos
Mas é essa uma das minhas melhores verdades
Mesmo preso
Uma verdade presa?
Aparece beleza no meu não aceitável
Eu que tenho tantos inaceitáveis
Vou tentar pegar a lua!
E observar as estrelas que caem
Sentir o vento que balança a casa
Balançar no vento, me leva!
Não leva não! Me ancoro
Base forte perto do abismo
Me alegro e me salvo
E depois nos vemos
Nos rimos
Há um caminho possível
Apesar dos impossíveis
Com tropeços, com riscos
E com belezas mesmo nos embaraços
Nos arrepios do cabelo e da alma
Estou viva, com beleza no olhar
E tenho uma cama para descansar.