Fui vivendo até que agora há pouco tempo, de uns meses pra cá voltei a menstruar. Estranhei. Depois de 2 filhos e 4 anos sem sangrar, estranhei. Mas a estranheza foi virando desconfiança. Era sangue demais, será possível? Pólipo no útero foi o que descobri na ultrassonografia. E aí... poxa, poxa... lá vou eu pra um procedimento cirúrgico. E se não o fizer, o pólipo vai tomando conta de mim e o sangramento vai aumentando... e lá me vou daqui (?). Talvez seja um pouco dramática essa forma de ver as coisas.
Ja quis tanto não estar mais com vocês. Essa vida meio sem sentido... meio sem graça... meio sofrida. E hoje, dando alguns contornos, tive filhos com enfoque nas partes boas: o amor, o belo, a arte, a natureza.
E como no mar, as ondas vem e vão. Grandes e pequenas, ressaca ou calmaria. E assim me pergunto: qual será o tamanho do meu ciclo? Estará a morte me rondando pra um fim breve, lutarei contra doenças que insistem em ocupar meu corpo ou produzirei males em meus órgãos que, sem saber como fazê-lo tampouco saiba desfazê-lo? Ou viverei ainda um tanto e verei morrerem ao meu redor os meus queridos até que sobre eu e os pequenos, que cresceram.
Queria escolher partir, e num lampejo de consciência maior dizer tchau ao corpo ao qual ocupo, a vestimenta que me apresenta. E penso: poderiam enterrar-me nua, assim: chocante. O corpo que me é tão estranho quanto familiar e que cubro, enfeito, envolvo. Se ele em si não significa nada, menos ainda suas roupas.
Quando eu tiver conseguido ir não tenham pena de mim. Nem do corpo. Nem das histórias. Nada mais. E se não restar corpo, apenas cinzas, pode escolher: ponha-me num balão grande e dê para as crianças brincarem sobre a terra. E quando ele estourar, que se esvaia. Ou jogue de um voo de parapente, suje as casas ou alimente as árvores. E se nada tiver a ser feito, que os carniceiros dêem conta dos meus restos, eu não estarei mais ali. E meu corpo, mesmo antes desse momento, não é lá tão belo aos olhos envenenados, domesticados a venerar outros formatos. A quem me quer bem não fica nada. Quem sabe um tufo de cabelos meio ressecados e com frizz, quem sabe algumas palavras, nem tantas assim. Minha vida importa mesmo é pra mim.
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