Mulheres, oh! Mulheres...
Quanta ilusão, desilusão
Nossos corpos, nossa vida, nossos seres
Pedir por igualdade, coração?
Que igualdade, ora, como?
Se só de nós a vida brota
Se só por nós há um autônomo
Esse ideal é uma lorota
O aprendizado de uma casa
Da gestão do corpo e de uma vida
Escolhas duras, e só atrasa
E logo ali pensa: estou grávida!
E escolhe se vai ter tempo pra parar
Ou se entrega o filho ao sistema
Um dilema que nunca vai fechar
Que não se explica nesse poema
O que é dar tchau pro seu trabalho
Perder poder, lugar, autonomia
Passar o dia com fraldas e chocalho
E quem sabe alguma alegria
Ou ainda ir pra rua trabalhar
Deixando aos cuidados de outros seu rebento
Ir embora sem pra trás poder olhar
Produzir sem um lugar pro sofrimento
E uma mulher sem filhos o que é?
Não sei ao certo o seu lugar social
Exigem dela filhos, marido, bunda em pé
Não tem voz, o seu lugar é desigual
Aliás qual a mulher que é ouvida?
Desequilibrada, louca varrida
Tem tpm, é frágil demais ou sapatona
O meu respeito às que passam a vida numa zona
E nossos corpos depilados e bonitos
Cujas formas nem sempre são aceitas
Apertados, sobre saltos, maquiados, infinitos
Exigências para parecermos direitas
Mas é isso, mulher não há direita, só esquerda
De uma forma ou de outra somos sinistras
Nossa história atravessada pela perda
Somos deusas, castas, monstras
Estamos entre as loucas e as santas
E entre as puras e as putas
Estas questões entre outras tantas
Nos faz emaranhadas, irresolutas
No entanto, apesar de tantas lutas
Vivemos em nossos corpos violências
E piadinhas e outras pautas
Que tenham cada vez menos conivência
Acredito que somos meio sequeladas
Pela vida e toda essa presepada
Mas transpomos tantos obstáculos
Somos Fênix, damos espetáculo
Merecemos todo o respeito do mundo
E também um silêncio profundo
E do nosso blablabla incessante
Que se veja uma produção interessante
Daquilo que somos e queremos dizê-lo
De um trabalho intenso e singelo
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