segunda-feira, 28 de março de 2022

Mais um dia

 Tem uma tristeza que me preenche de vazio. Uma lágrima presa, contida, que não desce por não saber pra onde ir ou por quê. E a sensação de não valia ou desvalia contra a qual luto dizendo quem sou aparece com força e me mostra: não és tu, nem eles. Que pouca coisa que somos, tão insignificantes. E a vontade de não ser me lembra de um tempo que eu tinha. E as crianças que por vezes me salvam por vezes condenam também me fazem vislumbrar essa incompletude desajeitada, um quebra cabeça cujas peças tem irregularidades. Talvez a vida seja um quadro de Van Gogh. Meus filhos que tanto amo e cujas vidas valem a minha, a missão de materná-los justifica minha existência e a valida, pois bem, esses mesmos filhos as vezes me cansam tanto e apesar de todo amor que sustenta a existência deles, penso que não os queria. Nem o caos e o trabalho que dão, o que nunca faço o suficiente ou bem feito. E meus olhos fecham sobre as letras, os sonhos sobrevêm me levando pra um outro mundo, onde as vezes eu me perco e queria nem me achar. Fora de mim um vento frio. Aqui dentro bem quentinho.

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