A folha estava ali no galho
O galho dela balançou
O sol a iluminou
A chuva molhou
A folha amadureceu
Dia após dia
Paulatinamente
Era difícil dizer exatamente quando ela foi se tornando uma folha mais gasta
Foi mudando de cor
O mesmo vento ventava
A mesma chuva molhava
O mesmo sol iluminava
Ela existia ali tão independente dos olhares e dos acontecimentos
Que por mais que fossem levemente diferentes, eram os mesmos por toda sua vida de folha
E ela amarelou, ficou mais frágil, perdeu um pouco do brilho, deu uma ressecada
E nada de muito novo aconteceu
Ela estava ali pendurada nessa sua nova forma
E já nem tão presa nem tão solta
Até que, quando algo atingiu o limiar, caiu
Ela não estava mais amarela
O vento que ventava era mais ou menos o mesmo
O sol igualmente...
Mas ela caiu naquele exato momento
Nem antes
Nem depois
Com dia, mês e ano precisos
E também horas, minutos e segundos
Naquele agora único
Ela não era mais uma parte daquela árvore
Se desprendeu
Voou um pouco
Desceu rodopiando
E ficou no chão
Misturada a tantas outras folhas
Que mal se sabia quem era ela
Juntou-se às folhas que atravessaram o limiar do desprender-se
Cada uma no seu momento único
Algumas mais coletivamente em meio às ventanias
Todas ali pelo chão do entorno das árvores
E juntando-se a elas, a nova folha que acabara de cair,
Tornar-se-ão parte do chão
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