Subindo a montanha com sentimento muito enorme de alegria e gratidão ao universo e a existência, olhando a vastidão, a grandeza e a independência da montanha sentia o não-sentido da nossa forma de viver nesse mundo.
Compreendia, sem os pés no chão, forma de subsistência mais primitivas, meios de cortar vínculos com esse capitalismo selvagem e as neuroses inerentes aos meios urbanos de relações.
Evocava todo o espiritual, que ali já se presentificava, transcenderia toda complexidade, apenas observava o quanto tudo ali faz sentido.
Senti dentro de mim que se por ventura a terra me tragasse, minha missão estaria finda e nenhuma pendência ou desejo teria ficado para trás. Eu-natureza junto a natureza-ela-mesma fazia todo sentido.
Até o momento em que me foi anunciada a tempestade. Muita chuva, ventania, incertezas mil para o nosso destino.
Estremeci, me humanifiquei, senti todos os sentimentos que podia, principalmente os piores. Lembrei-me de cada um dos meus amores tendo algo a me dizer. Lembrei-me dos meus filhos e marido, da minha presença estruturante em suas vidas - ou ao menos é assim que eu imagino.
Ativei meu senso de auto-proteção, julguei mal me perder na pedra e ali ficar. Não me vi em paz junto à chuva, aos raios, aos pássaros comedores de carne. Senti-me responsável de manter-me junto aos meus. Queria mais que o fim de mim.
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