Hoje é meu dia de aniversário. Ontem quando estava quase chegando a hora eu pensei que faria 36 anos. "Nossa! Um arremedo de gente", pensei. Depois achei que não. Não sou uma quase gente ou cópia mal feita - fui conferir no dicionário a precisão do nome. Apenas chego aos 36 anos sem um lugar no mundo do qual me orgulhe. Profissionalmente nem preciso comentar, mas vou. Escolhi das profissões que considero mais próprias a mim, mas não fui capaz de conseguir trabalhar. Depois de escolher a psicologia escolhi a psicanálise. E chego ao brilhante momento em que me pergunto se serei capaz de trabalhar com ela algum dia. Não por incompetência propriamente, já que até considero minha trajetória satisfatória e tem tudo a ver com como vejo o mundo. Mas por insegurança. Trabalhar justamente com o não-saber porém no lugar de suposto-saber. Ocupar lugar de furo com certo semblante de mestre. Trabalhar com transferência sem responder à demanda quando me sinto mal com a sensação da impotência. Ainda posso incluir a demanda do nosso tempo e a questão das redes... Psicanálise é o meu amor. Será um caminho sem volta?
Daí investi na família. Sonhei com filhos bem resolvidos, amorosos e sei lá o que mais. E o que tenho é uma maternidade que nunca dá conta do que eu queria e filhos desaforados e desrespeitosos. Maravilhosos também, mas arrisco dizer que sinto-me mais infeliz que feliz com a forma das coisas. Também não consigo me ver sendo muito diferente de quem sou nesse quesito.
Já meu marido, sonhei que seríamos felizes para sempre. Ele não é feliz. É bem lamentável. Sim, não é exatamente eu. Mas construímos uma vida juntos. Juntos. Uma vida que pra ele tem pouco valor ou ânimo de viver.
Agora, tendo localizado um pouco onde estou, vamos lá: 36 anos...
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