Venho querendo dizer ao mundo: sou psicanalista
Seria uma vitória e tanto conseguir subsistir disso que é a minha paixão
Algumas pessoas sabem que sou psicóloga e que quero trabalhar com isso.
Outro dia, a fim de me ajudar, imagino, uma pessoa perguntou a respeito de eu ter uma especialidade
Fiquei assim tão encucada
É bem o problema da minha verdade
Não há em mim nada de muito especial. Nada a ser anunciado, vendido, ofertado. Talvez um pouco do meu vazio, do meu percurso. Coisas tão não palpáveis.
Ou, por outro viés, que assunto eu dominaria? Querem que eu saiba sobre TDAH e autismo, sobre transtornos mil: ansiedade, depressão e pânico.
E como é difícil para mim dizer que minha maior oferta é minha escuta, um lugar que fui aprendendo a ocupar, uma possibilidade de saber do outro a partir do meu não-saber...
Como explicar que a formação em psicanálise se dá no caminhar da própria análise? Coisa que fiz com bastante seriedade.
Resta cantar a música: "você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui"... e não fiz curso de transtorno. Não é o que eu faço. Não é parte do meu sentido de existência. Meu caminho é outro e eu não o fiz a fim de ganhar dinheiro. Eu quis ganhar a vida. A minha própria. Primeiro a gente coloca o oxigênio na gente mesmo, depois cuida de quem nos acompanha.
A verdade é que eu sou muito angustiada com o que eu farei nesse encontro com meus pacientes. Com tudo que não sei, inclusive. E, ao mesmo tempo, sigo investindo há anos em como "não saber" com mais qualidade, com mais capacidade de escuta a fim de poder acompanhar uma jornada absolutamente particular.
E com tudo isso acho difícil divulgar o meu trabalho. Quero. Como faço?
Fiz uma página no Instagram. Ela poderia estar cheia de arte. Vou insistir, eu gosto. Mas falando em análise: o medo de dar errado é tão grande quanto o medo de dar certo. As lógicas não funcionam. É um transtorno só!
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