Há dívidas muito pesadas
Que os bancos cobram
Perturbam
Nos vendem e lucram
E ficamos enforcados resolvendo contratos
Injustos, abusivos, mas assumidos
Apesar de todas as críticas sabemos
Mal ou bem
Suas taxas
Valores mensais
Prazo de extinção
Consequências de inadimplência
E os contratos afetivos?
Cujas cláusulas são vagas
Cujos juros são móveis
Cuja assinatura é dúbia
Cuja inadimplência custa um pedaço da nossa alma, da nossa lealdade, da nossa integridade?
Quando os custos não são significativos
Diminuímos o outro
Será que ele se acha o último pacote do biscoito?
A cereja do bolo?
E seguimos adiante
Não cumprindo com as expectativas do outro
E nem ligando para isso
Ou fingindo bem que é assim
Agora, e quando nos sentimos em dívida?
E quando o outro nos deu mais do que podíamos ponderar?
Se esse outro for esclarecido
Saberá que fez por si próprio
Que somos apenas uma parte daquele sonho
Que o olhar que nos vê
É atravessado por muitos véus
Apesar deles nos sentimos vistos
Investidos
Admirados
Valorizados
E o preço?
E o preço?
Inquantificável
Altíssimo
Inestimável
E se o outro cobrar?
E se formos ingratos?
Não há mais como devolver o valor recebido
Nem tampouco fazer a quebra do contrato
Sentimo-nos acorrentados
Ou, se mais ou menos entendidos,
Sabemos que temos direitos outros
Que o algo que nos foi dado era por nós merecido
E que sendo com ele,
Fazendo bom uso
Tornamo-nos dignos de ter recebido
E a dívida?
Oras...
A dívida que é cobrada
No reino dos afetos
É tão ilegítima e de tão mau caráter
Quanto a dívida do banco
Onde podemos legitimar porque havia contrato
Podemos achar justa
Porque foi a solução encontrada
Mas é desleal do mesmo modo
É aprisionadora de forma semelhante
E, assim como no banco, podemos escolher por não pagar
Não pagar, nesse caso, nos faria livres...
Talvez não da nossa consciência
Que tantas vezes se mantém pesada
Mas de uma relação que parecia ser de afeto mas era opressão
Amor quando é pago é prostituição
Prostituição não é prestação de serviço
É o abuso de outro corpo legitimado
Abuso de corpo vulnerável
Pago
Onde se paga o impagável
Que consigamos afetos mais livres
Menos dívidas
E que aprendamos a lidar com expectativas
Com as multiplicidades dos desejos, dos destino
Com a força desse olhar pro outro
Que produz um corpo próprio onde não havia
Uma voz mais bela e tão intensa
E façamos nós
Novos investimentos
Livre de nós
Livre de outros
Livre!
Quando fez do nosso nada um algo
E esse algo que nos tornamos
Em parte
E esse algo que nos tornamos
Em parte
É pela graça, pelo afeto, benevolência
Desse que poderá nos cobrar
Devemos ao outro algo que agora somos nós...
Se esse outro for esclarecido
Saberá que fez por si próprio
Que somos apenas uma parte daquele sonho
Que o olhar que nos vê
É atravessado por muitos véus
Apesar deles nos sentimos vistos
Investidos
Admirados
Valorizados
E o preço?
E o preço?
Inquantificável
Altíssimo
Inestimável
E se o outro cobrar?
E se formos ingratos?
Não há mais como devolver o valor recebido
Nem tampouco fazer a quebra do contrato
Sentimo-nos acorrentados
Ou, se mais ou menos entendidos,
Sabemos que temos direitos outros
Que o algo que nos foi dado era por nós merecido
E que sendo com ele,
Fazendo bom uso
Tornamo-nos dignos de ter recebido
E a dívida?
Oras...
A dívida que é cobrada
No reino dos afetos
É tão ilegítima e de tão mau caráter
Quanto a dívida do banco
Onde podemos legitimar porque havia contrato
Podemos achar justa
Porque foi a solução encontrada
Mas é desleal do mesmo modo
É aprisionadora de forma semelhante
E, assim como no banco, podemos escolher por não pagar
Não pagar, nesse caso, nos faria livres...
Talvez não da nossa consciência
Que tantas vezes se mantém pesada
Mas de uma relação que parecia ser de afeto mas era opressão
Amor quando é pago é prostituição
Prostituição não é prestação de serviço
É o abuso de outro corpo legitimado
Abuso de corpo vulnerável
Pago
Onde se paga o impagável
Que consigamos afetos mais livres
Menos dívidas
E que aprendamos a lidar com expectativas
Com as multiplicidades dos desejos, dos destino
Com a força desse olhar pro outro
Que produz um corpo próprio onde não havia
Uma voz mais bela e tão intensa
Onde havia silêncio ou rouquidão...
E produz vontade de voar!
E, se voar, que possamos assistir satisfeitos
E não procurar as gaiolas
Que garantam que o novo cantar tenha dono
Que nos tenham como troféu de um dito bem
E produz vontade de voar!
E, se voar, que possamos assistir satisfeitos
E não procurar as gaiolas
Que garantam que o novo cantar tenha dono
Que nos tenham como troféu de um dito bem
Não! Deixe voar! E veja como é belo esse voo pleno
E façamos nós
Novos investimentos
Livre de nós
Livre de outros
Livre!
E se assim for, voaremos alto e belo
E voltaremos não por obrigação, mas por afeto!
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