Não sei.
Tenho um filho na fase dos porquês. E é muito interessante que eles não cessam. E muitas vezes terminamos a sequência num fatídico "por que é assim".
E nós, adultos, nos esforçamos em responder e explicar, certos de que eles estão aprendendo e de que estamos dando contornos a tantos "sem sentido".
E tem vezes que se pergunta coisas tão sérias como se qualquer coisa fosse, como quando querem saber da morte do meu pai. E me lembram e confrontam com vivências e sentimentos que não são da ordem das explicações. Mas a gente fala, fala, as vezes chora. E eles ficam surpresos. Por quê?
Os últimos dois porquês também deram uma chacoalhada. Um deles era sobre o amiguinho de mesma idade (5anos): por que ele não fala? Por que ele grita assim? O outro era sobre uma pinta grande na barriguinha. Por que tem pinta grande? E aí a gente fica ali, tentando entender também. E vemos que essas também são as nossas perguntas. E que as muitas teorias não respondem, não nos sossegam.
Assim também é com as perguntas sobre a própria origem ou a origem dos seres humanos ou do início da vida. Também querem saber sobre a morte: quem morre primeiro, não querer morrer... e o planeta, o universo, o infinito.
E cheios de palavras e saberes dizemos tudo que construímos nos últimos anos. Uns conceitos que não preenchem nosso próprio vazio da origem da coisas e dos mistérios da existência. Umas palavras. Só palavras...
Sendo tão poucas para dar conta de tanto. E sendo tantas segurando em muitas pontas pra dar algum sentido. E eles vão aprendendo e juntando suas próprias palavras e sacando seus próprios vazios de sentido. É muito bonito. Porque na verdade nos entregamos por completo nos nossos não-sentidos. E que eles possam também dividir conosco toda essa angústia de viver, porque voltaremos a essas perguntas quantas vezes pudermos crescer. Ainda me lembro de eu, adolescente, conversando com um amigo sobre a origem e o sentido da vida. Ele, muito sábio, disse que já havia passado dessa fase. Na época senti constrangimento... torci para que passasse logo essa minha fase. E aqui estamos...
Nenhum comentário:
Postar um comentário