A gente está muito acostumado com o espaço junto ao chão. Presos à terra, nos submetemos ao sol, ao vento, à tempestade. Enquanto vivemos a tempestade é difícil pensar que acima das nuvens segue existindo o sol. Ou mais nuvens. e acima de mais nuvens, o sol.
O nosso acima é o céu.
O nosso céu, tão distante.
Nosso mundo é no chão.
Nosso mundo não é tudo.
Ensimesmados, temos dificuldade com o universo do outro.
Outro?
E outros universos.
Dançando e caminhando no universo, com riscos de colisões dramáticas e mantendo distâncias magnéticas saudáveis.
Seguem os ciclos.
Cumprimos um calendário. Concordemos com ele ou não, compactuamos as datas, acordamos funcionamentos.
Ontem foi o dia dos fogos. Terminamos 2024 e iniciamos 2025. Há 100 anos nascia meu avô: 1925. O tempo. Ele passa. Comemoremos ou não. Ele passa.
Nossos corpos ocupando esse espaço da forma como conseguimos. Vivendo mais ou menos intensamente de acordo com o que chamamos vida. Compreendendo mais ou menos nosso lugar nesse todo.
Reclamando conjunturas, percebendo -ou não- nossas liberdades e prisões dentro de nós.
Mais um ano começando. Criamos um ponto para chamar de começo e nos dar a chance de deixar coisas para trás a fim de reiniciar. Enquanto o tempo nos dislapida.
Quero aceitar meu tempo passando
Percebendo em mim o lugar que ocupo
Presente na minha própria história
Conseguindo deixar para trás o que é preciso
Para me encontrar comigo
Menos emaranhada em mim mesma
Dançando magneticamente
Sem muitas colisões dramáticas
Aproveitando o tempo, presente
Para em outro tempo
Não ser em paz
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