domingo, 12 de janeiro de 2025

Iuri, meu segundo filho

Pra você guardei um mundo melhor
Uma mãe já existia para te receber
E nós pudemos ter menos trabalho no nosso encontro
Eu esperava você sabendo mais da vida

O peito já não doía tanto
E eu sabia mais sobre amamentação
E assim, você pôde mamar na minha tranquilidade
E receber de mim uma paz que te habitará para sempre

Em psicanálise o S1 é o primeiro nome
Ele é o significante primordial 
Que não tem sentido algum mas é a base pra todos os sentidos 
Ele é marcador da origem

E o S2 é o sentido, as múltiplas possibilidades
Ele fala de algo que se amplia
Que traz tudo quanto há 
Ele mostra a realidade variável e o quanto podemos "escolher" as palavras que nos situam 

E penso como essa condição de primeiro e segundo filho podem se articular nesses conceitos. 
Cada um com sua importância, sua distinção, seus valores. 
Não há segundo filho sem primeiro filho. 
E nessa segunda experiência, a primeira é a base

Se na minha primeira experiência eu fiz de tudo para um nascer bem
Na segunda chance eu refinei as escolhas
Você foi aquele que me acompanhou nessa minha chance de parir 
De ressignificar e perceber no meu corpo que há de se ter esperança 

Fizemos essa dança da vida de forma plena
E te protegi ainda mais de algumas adversidades 
Tivemos a chance de um mundo tão bonito
Em casa, olho no olho, aprendendo a andar na grama

E com você eu estava mais inteira
Estava calejada, torneada
Eu só precisava saber dar conta de dois
Só...
Mas uma parte do caminho eu já sabia

Eu te dei banhos de um jeito diferente 
E quando te vestia era tão mais fácil 
Eu resistia ao seu choro com resiliência 
E você também foi um bebê tão afável 

Mas a vida para nós também nem sempre é fácil 
E descobrimos dificuldades e peculiaridades
Com você eu aprendi a contornar o buraco 
Olhar pra ele, respeitar, e seguir sem cair

O seu jeito doce e sorriso fácil me ajudam
Você é um menino tão esperto
E a cada ano que atravessamos eu sempre lembro
Como a vida precisa ser bem vivida
O valor que temos no nosso amor
O quanto somos fortes para atravessar as intempéries 
Ou mesmo o quanto uma vida justifica uma morte
Já que todos nós teremos esse destino 
Sem sabermos o momento preciso
Sem aviso prévio dos atravessamentos e dificuldades 
Que saibamos usar as muitas palavras a que temos acesso
Para dar sentido
Para viver bonito
E para atravessar tudo o que é uma vida 


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