Ontem eu fui numa médica para que ela avaliasse meu tímpano. Por conta do horário fui sozinha e de ônibus. A primeira surpresa foi o quanto ouvir música com fone no ônibus me transportou para outro tempo. Depois tive o prazer de andar no meu ritmo acelerado de sempre - de um sempre que já faz tempo, de quando não tinha filhos. E depois, quando retornei, eu atravessei a rodovia super leve mas desci a trilhazinha pensando que era bom não escorregar ali porque não teria ninguém pra me ver e eu ficaria ali estatelada até sabe lá quando. E percebi como que, mesmo tão pequenos, andarmos juntos também me confere alguma segurança. Depois fui chegando na rua do bairro e me aproximando da ponte vermelha senti um vazio. Tantas e tantas são as vezes que chego ali com os meninos. E zelo pela segurança deles exigindo que não fiquem no meio da rua e topo as brincadeiras deles e todas, todas, todas as vezes pelo menos um deles cata uns galhos pelo chão para jogar no rio e avaliar os efeitos. E tinham galhos caídos e tinha o rio e a ponte... E um silêncio... Um triste silêncio, confesso. Por muito pouco não peguei eu mesma um galhinho para jogar no rio e cumprir com a beleza daquele momento. Mas a beleza não está no galho, não está no jogar, nem no rio em si. A beleza somos nós vivendo esses momentos de rotina e usufruindo da beleza das águas que levam galhos, dos galhos que encalham, dos ditos cuidadosos repetitivos, no observar se tem alguma nova teia de aranha por ali e, assim como cada galho faz um caminho segundo a corrente de água onde ele cai, cada vez que passamos, tão iguais e tão diferentes, fazendo as mesmas coisas mas de uma forma única até o dia em que esses passos não serão mais a nossa rotina, foram mudando, mudando, e ficarão as tão boas lembranças desse cotidiano banal que hoje me fez falta.
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