Caminhei mais uma vez até os castelos. Senti que meus passos dessa vez estavam mais pesados. Mas sempre que olhava pra trás parecia ter sido fácil. A cada passo pra dar, uma labuta. A cada passo dado, satisfação. E andando sempre pra frente sabemos que vamos chegar.
A filosofia da vida vai acontecendo dentro de mim: não importa qual a distância se o caminhante segue sua caminhada. Mas é bem verdade que se escolhe caminhos mais fáceis vai ter caminhada mais leve.
Ainda sinto um frio existencial e uma sensação de não estar pronta para sustentar, de forma absoluta, a falta de vontade de viver. E sei que serei confrontada por questões que virão dos meus filhos, que as vezes já chegam. Quero conseguir dizer a eles que é bonito e que vale a pena. Mesmo sabendo que dentro de mim tem algo que diz: se a sua coragem e a sua vontade de desistir forem grandes demais, vai! Quero ser o vínculo com isso que fica, sabendo que algo em mim também vai, também foi, também quis e quer.
Chego. É apaixonante estar aqui. Um encontro tão verdadeiro. Parece que essa minha casa me aguardava chegar. E eu, saudosa, emocionada em estar aqui de novo. A casa que é minha hoje. Tão minha. Minha e de outros tantos viajantes. Minha hoje e ontem de tantos outros. E anteontem de outros. E é só chegar, estabelecer seu espaço, ser aqui. Como outros foram. O valor que está em não ser nem só meu e nem só deles. É profundamente nosso. E sinto como se eu realmente fosse desse mundo e esse fosse o meu mundo. O pertencimento que me falta no sistema do capital, onde vivo a questionar meu valor e lugar de existência. Parece que estou em outro mundo. Aqui o valor são umas pedras e seus mistérios. O sol poente, frio cortante, registramos tentando capturar o impossível. A minha roupa pode estar rasgada ou os cabelos desarrumados. Foi um galho. Foi o vento.
É um chão. O chão. Onde existo sentindo que existo. Os bons dias do caminho, os olhares que hora estimulam, hora testemunham, que procuram o sol que está vindo no horizonte. Alguns são capazes de ofertar mantimentos, outros buscam alguma ajuda.
Retorno realizada. Contando que em breve posso voltar. O que senti pouco consigo descrever. Que os Castelos abriguem a todos que vierem, que sigam nesse espírito grandioso, imutável, mágico. E que os visitantes consigam aproveitar essa energia. Que sintam que essa é sua casa. Como deveria ser todo resto, casa-planeta, homem, mulher, habitante. Veneradores do sol, dos ciclos, da vida.
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