quarta-feira, 4 de junho de 2025

Castelinho rapidinho

 Caminhei com calçados inadequados mas sentia a tranquilidade de estar num chão já conhecido. O caminho era curtinho, a terra pouco escorregadia, os declives com condições de me adequar. 
E seguia, seguia, rumo ao cume, o Castelinho. 
Os raios de sol aproveitavam as brechas da mata para me alcançar. Me invadia a sensação do belo. 
De repente passamos por uma senhora com quem sabe um neto e um guia. Subiam lentamente, a cabeça totalmente branca destoava da dos visitantes que costumamos receber.
Quase lhes desejei boas vindas mas me limitei ao sincero "bom dia" que desejo a quem também foi viver. Minha segunda casa, sempre tão acolhedora.
Chegando nas pedras vou observando se tudo está como eu deixei: arrumadinho. Vejo que ali não tem as minhas marcas. Como saberão que estive ali, fui recebida, recebi, que dormi bem ou que o sol estava forte e eu esqueci o chapéu? 
Como saberão da ventania que passou, da água que ensopou meu tênis, das vezes que me preocupei com as crianças pulando pelas pedras? E ali penso que poucos querem saber... Muitos chegam, são bem recebidos, se deslumbram. Vem e vão, não deixam marcas e saem marcados pela montanha. Outros levam tinta, levam materiais para ferir as pedras, sujam minhas paredes, violentam o sagrado que ali habita. E lamento cada nova marca de um lugar já tão marcado.
Por outro lado, naquela grama tem o meu espaço. Ali, perto da pedra, ponho minha barraca aguardando que o sol nasça naquele ponto. Na gruta, naquela pedra, na outra, nos cantos... É um lugar que me conta um pouco de caros momentos vividos por mim. Oculta restos de mim, das minhas alegrias e momentos de reflexão, como hoje.
Um agradecimento.
Meus pés beijam aquele chão.
Meus olhos recolhem um presente.
Minha pele sente o abraço.
E me despeço já com saudades de voltar. 

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