Outras guerras acontecem todos os dias diante dos meus olhos. No microcosmo. Dessas me ocupo, me preocupo, busco saídas. Especialmente dentro de mim. Busco as palavras, as possibilidades. Não concordo com a anulação de quem quer que seja.
Recentemente eu li que, se eu não me ocupar da guerra, a grande guerra, em breve serei eu quem estará na mira dos que guerreiam.
Num primeiro momento pensei em como me safar. Quem pode faz um ambiente seguro, protegido, um buraco onde se enfiar aguardando que o caos tenha fim.
Pensei nisso também quando falamos em aquecimento global ou, enfim, os problemas ecológicos mil - aos quais eu tenho algum acesso e controle praticamente nenhum - que nos levarão ao fim do mundo.
A seleção natural há de escolher os melhores, quero crer. E, de repente, me vejo desejosa de estar entre os melhores e, quem sabe, ter um plano incrível de sobrevivência.
Ora bolas, justo eu que venho pensando há muito não num plano de sobrevivência mas num plano de morte. Farão um favor em não permitir que minha vida chegue ao seu natural fim, sendo interrompida de forma mais ou menos brusca antes que eu me depare de forma ainda mais brutal com a minha própria falência.
E volto a paz interior na certeza de que sigo na busca ética e tentando resolver as guerras cujos atores estão bem por aqui. Não sou muito bélica, e, nesse caso, oscilo entre a covardia de não me envolver e a realidade de me ocupar daquilo que de fato está ao meu alcance.
Por outro lado, me encanta a beleza de uma nova forma de vida onde a sobrevivência tem outro valor, em que tudo que já esteve pronto já não é mais garantia e as pessoas serão obrigadas a conviver de outro lugar, colaborativamente, tendo uma função social relevante uns pros outros.
É só um sonho. Mais um sonho. Ter um lugar no mundo ou um mundo com lugar pra mim é mesmo algo que me faz sonhar.
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