Lá vou eu falando do meu pai. 16 anos sem ele e outro dia eu recebi um vídeo meu. O vídeo de eu falando da escola dos meus filhos, uma generosidade a fim de alavancar novas matrículas. E aí tem muitos desconfortos nesse encontro comigo mesma falando publicamente. Mas tem algo que absolutamente me atropelou. Eu fiquei muito, muito impressionada que eu repetia "né?" no lugar das vírgulas e pontos. Não era um detalhe era uma aberração. Imediatamente eu pensei o quanto eu seria uma pessoa melhor se meu pai vivo estivesse. Ah! Eu podia talvez não falar nada, mas falar daquele jeito inseguro e cheio das marcas dessa insegurança não. Ele me escutaria no dia a dia e apontaria o absurdo. E a cada momento ele criticaria. E eu ficaria indignada e irritada, mas perderia um pouco daquele mau gosto. Seria incômodo, mas não sei se o incômodo era ser exatamente do jeito que ele falava ou da crítica acirrada. Tudo que eu queria, ao ver aquele vídeo, era que ele tivesse me doutrinado o suficiente para me aperceber do inaceitável.
Não bastasse a sensação de vergonha de existir aquele vídeo e a ampliação desse sentimento para a minha própria existência, quando mostro pro meu marido ele não compreende qual é o grande problema do vídeo. Não consigo acreditar. E, ao final, ele reconhece como uma forma usual minha de comunicação. Oh, céus! Que horror!
E agora não sei o que é pior: o marido não acusar o absurdo ou achar tal vício de linguagem aceitável.
Enfim, estou tentando me ouvir mais e precisar menos que o interlocutor concorde comigo. Né?
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