Houve um tempo em que eu acreditava no amor. Esse tempo é o meu presente. Eu abro o presente e vejo que havia, ali dentro, amor.
Houve um tempo em que eu acreditava no ódio. E olhando pra ele eu pensava: isso não é amor. E, pela negativa, o amor estava ali.
Amor e Ódio eram nomes próprios. Eles me foram apresentados encorpados, sob uma forma, com uma roupagem.
Aos poucos eu olhava praquela forma, aquela que me fazia reconhecer o Amor e o Ódio e elas se apresentavam diferentes, um pouco confusas. É como se os adereços estivessem trocados. Olhava sem reconhecê-los com clareza. E quem estava ao meu lado dizia: é amor. Ou então, é ódio.
Até que tudo ficou confuso de vez. As formas,.de fsto, não eram tão evidentes assim. Percebi que alguns presentes, onde o amor sempre estava, não eram assim tão bons. Esqueci de dizer: o Amor é bom e o Ódio é mau.
Comecei a perceber que olhando de um lado parecia amor. Mas de costas ou de lado, mudava. Quando recebemos o presente, cheio de um amor que consome e que, como resposta amorosa, é preciso tudo suportar, já não faz bem, não é bom.
Bem de quem ou bom pra quem? O bem não é quando faço a ti o que gostaria que a mim fizesse? Você não sou eu... E eu não sou você. E nosso sentir bem é tao diferente. Se respondo amorosamente ao seu presente, resta saber se tive amor próprio. E se o amor a ti, no verso, não é uma violência a mim. E se a violência a mim é amor ou ódio.
Fui conhecendo Amor e Ódio. Ambos me fazem muito bem, me dão sinais de mim mesma. Eu que também não sei bem quem sou, o que quero e pra onde vou. Dançam com uma beleza inigualável. E ficam muito bem quando ocupam, cada um, o seu lugar. A roupagem os define menos, embora às vezes ainda me confunda. As vezes se engalfinham como criança, rolando, uma confusão. Eu vou lá tentar separar. Nem sempre consigo. Claro que ficam umas marcas... E das marcas, marcos, limites.
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