quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Pedras

Há pedras, pedrinhas coloridinhas e bonitinhas
E pedrinhas mais comuns, miúdinhas fazem meu chão 
Pedras um pouco maiores sinto pontudas sob meus pés 
As um pouco maiores fazem ilhas onde saltito seguindo caminhos
E tão, tão maiores que as escalo e sento para descansar

Sinto que sou pesada
Muito pesada, muito mesmo
As roupas GG mal me servem
Sou grande, enorme, muitos lugares comuns nem têm roupas pra mim
Devo ser quase gigante
Praticamente uma aberração 

E, assim sendo, quem me aguentaria ao me dar a mão?
Pedras me aguentam, e olho pra elas pensando quem será mais pesada: eu ou ela?
Em geral, nelas eu confio
Sua força e solidez são capazes de dar-me suporte
Seguro em suas agarras confiante 
Muitas são tão estáveis que, mesmo estranhamente apoiadas, sei que meu peso em nada interfere 
Mas algumas, apesar de grandes, cedem como gangorras e me assutam com sua instabilidade 
Outras, escorregadias, apesar da capacidade de me terem, traiçoeiras, não me querem

Fui subindo o rio observando essa companhia tão variada e presente
Pedras por todo lado
Quais as pedras escolho por meu caminho?

Voltei pensando que moro entre duas grandes pedras
Numa tem se alojado muitas árvores e, mais cedo ou mais tarde, essa floresta deslizará no escorrega de pedra, ou seja, a montanha
Do outro lado vejo a pedra mais bruta e uma sorte de centenas de bromélias a enfeitando 
O chão da minha vila tem pequenas pedrinhas menores que as britas, onde meus filhos adoram derrapar de bicicleta 
E do lado de fora colocaram paralelepípedos, nada mais são que pedras retangulares... 
Percebo uma ampliação da minha percepção: o mundo é sobre pedras

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