Assaltado. Levado pela enchente. Caiu da laje. Afogado. Atropelado. Soterrado.
Tragédias acontecem.
Vamos repassando o horror para que todos saibam, para que todos vejam, para que todos sintam.
Alguns sentem muito: optam por não ver.
Alguns sentem muito: choram, se enlutam, repassam.
Alguns sentem pouco: estão anestesiados.
Alguns sentem pouco: não acreditam ou culpam alguém.
E aqui estamos.
Em dúvida se continuaremos nós e os nossos ilesos e por quanto tempo. Eis uma questão: se os acidentes ou atrocidades não nos levarem, serão as doenças ou a falência do corpo. Tem algo desse anúncio que na verdade é a realização de um fim único.
Não que o tempo não faça diferença. Faz. Queria eu que meu pai tivesse durado mais. Durou menos. E o que o levou não foi uma bala, uma enxurrada... Foi uma doença. Poderia ter durado mais e foi só até aquele dia. 68 anos e não 69, 70, 71... 68, precisamente. Foi o seu tempo. Tenho 39 anos. 39 já me foram garantidos. Estimo que chegarei aos 40, mas garantias não temos. Há sempre fatores externos, do horror. E o desespero ao olhar pro fim em nada prolonga ou melhora. Pelo contrário! Viver sabendo da morte para viver melhor. Viver com medo da morte é viver pior. Viver enquanto se vive é o possível e o impossível de estar aqui.
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