Eu não queria querer um natal farto
Eu poderia não fazer questão das rabanadas
Eu não preciso salvar as gemas fazendo quindim
Muito menos agradar meus filhos com musse de chocolate
Eu poderia não ter sido atravessada por natais com aquele pernil delicioso, com som de sotaque paulista
Eu não faria um empadão de palmito para que meu companheiro tenha algo sem carne para agraciar o prato
Nem dois tipos diferentes de feijão, um deles com carne prestigiando meu sogro
Poderia não aliviar minha mãe da maior parte dos afazeres ou auxiliar minha sogra
E eu não teria o trabalho que o Natal me dá
E não teria uma comemoração de Natal
Natal, data vazia
Data de Deus, de presentes, de hipocrisia
Corrida em lojas, em mercados, olhando pra pobreza
Dos que ficam na porta das lojas
Minha mesmo, que não entro em tantas delas e compro preocupada com a conta do cartão
Natal que não une as pessoas
Que cria guetos e intrigas
Que tenta definir quem são os seus
Natal: data de família
A família que temos, que tínhamos, que teremos
Natal para poucos, cheio de graça
Às vezes tão sem graça
Natal de excesso de trabalho pra uns
E de ususfruir para outros
De arrumar, limpar, lavar e cozinhar
De aguentar ansiedades e seus efeitos
De precisar de descanso
Cansada estou do Natal
Mas não faz mal... Falta pouco para acabar
E mais um pouco a "comemorar"
Nenhum comentário:
Postar um comentário