As mulheres têm assumido os cabelos brancos. Não me esperaram sustentar essa imagem em mim, como planejo há muitos anos. Meus cabelos brancos estão atrasados, é meu corpo me enganando sobre minha juventude.
Algumas lindas amigas têm cabelos brancos aparentes. Eu as observo admirada. Observo a pele, o olhar, a presença e o contorno dos cabelos, alguns longos outros curtos, com os brancos ali, marcando posição no mundo. "Eu, mulher, tenho exatamente esses cabelos. É assim que sou". E reparo bem que às vezes os brancos diferem um pouco dos coloridos, tem uma forma outra, mais velha talvez.
Poderiam escolher a aparência mais jovem. É uma verdade que os cabelos brancos envelhecem? Ou seriam os cabelos pintados que rejuvenecem? Uma juventude que anuncia estar ficando para trás.
Eu tenho poucos cabelos brancos. Meu esposo com a minha idade já era bem mais grisalho que eu. Mas ele é mais velho desde que era criança. Nele os cabelos brancos chegaram cedo.
Sinto-me jovem, algumas vezes bem mais jovem do que a realidade. Estou a caminho dos 40 anos, acho que os 40 anos que estão me perseguindo. Tão despreparada pra vida e ao mesmo tempo tão vivida. Há algo em mim, da minha história, que conta um percurso. Sou vívida em mim e nas minhas conquistas. E que fique claro que conquista não é ser medalhista de nada, é conseguir alguma sistematização sobre a travessia e seus atravessamentos.
Quando meus cabelos branquearem quero colorir de outras cores. Pensei em ser mais ruiva, pensei em serem azuis, e talvez nada disso. Estou envelhecendo pouco, meus cabelos não são brancos. E os cabelos delas, que não são meus, estão ótimos, em paz. Como será que elas se vêem? São belas, são elas! Bem assim.
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