AnaAninha
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Insuficiência
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
Natal
sábado, 20 de dezembro de 2025
Tristeza
Tristeza não tem fim, felicidade sim.
Sem luz
Fica dia e fica noite. Todo dia, dia. Toda noite, noite.
Hoje fiquei sem luz e por isso pude ver a luz da noite. As estrelas sobre mim todos os dias por ali, não as conheço, não identifico senão as três marias e o cruzeiro do sul. Depois soube que as três marias são o cinturão de Orion. E com sorte mais um pouco identificarei as demais estrelas dessa constelação.
Não vejo a lua. Onde estará? A noite é escura, mas nem tanto. Há de ter a fonte luminosa da noite. As estrelas lá estão, procuro seus rastros. Esse ano perdi Perseidas em dezembro. Sinto muito por mim.
Vejo as nuvens vindo, baixas, acariciando a montanha pela lateral. Turva um pouco do meu céu. E pro lado das nuvens piscam uns vagalumes discretos. Bem mais fortes que eles, carros passam rápido pela estrada causando rápidos e fortes rastros luminosos.
Me falta luz mas não celular. Tenho lanternas carragadas e fogão para aquecer minha água do banho.
Quando falta luz, a luz que não falta aparece. A luz de todo dia, de toda noite.
Assim como "amanhecer é uma lição do universo", provavelmente anoitecer também é. Quando anoiteço preciso procurar a luz possível, sejam rastros, sejam estrelas e, melhor ainda, se houver lua. A luz que ilumina minha escuridão e faz com que haja beleza nos momentos de trevas. De algum modo me acompanha até que eu adormeça e possa aguardar novo dia, iluminado.
Nossos momentos de escuridão, repletos de medo e às vezes desespero, por vezes são tão fugazes quanto as alegrias. É um tempo, é uma travessia e um atravessamento. Sabendo respirar e dar os contornos necessários, construímos nova realidade, novos valores, novo olhar sobre a noite.
As noites sem lua pedem de nós maior recolhimento. As noites com lua nos permite enxergar melhor do que imaginávamos. Há quem confie nos olhos da alma. Eu prefiro contar com as luzes possíveis e confio nos meus olhos mesmo.
A luz voltou. E é sempre assim. Uma hora a luz volta. Se demorar podemos perder os alimentos da geladeira... Mas é preciso saber atravessar os períodos sem luz.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
Contingências
Assaltado. Levado pela enchente. Caiu da laje. Afogado. Atropelado. Soterrado.
sábado, 13 de dezembro de 2025
Cabelos brancos
sexta-feira, 28 de novembro de 2025
Arriscando vida, sob outro ângulo
Sozinha nunca estava. O medo era meu fiel companheiro. As vezes mais discreto, às vezes barulhento, apostava na vida porque era o jeito. Vida, perigosa vida, me oferece a morte no seu avesso.
Apostava na morte, caminhando sozinha, quem sabe? É preciso dar chance pro azar. Quantos fins imaginários podem sustentar nossas práticas... Mas mesmo que haja possibilidades de não-ser, termino minha aposta viva, com vida, e tendo vivido um pouco do que tangencia a morte: entre o horror e o belo.
Vivi mortes em vida. Abandonos, solidões, crises, mordidas, desencontros, perdas, despedidas, faltas. A vulnerabilidade é uma conhecida da qual quero distância. Apesar disso quero ficar velha. Só não fica velho quem morre novo.
Eu queria que a vida fosse uma escada ascendente. Com isso aprenderíamos muito, cresceríamos e morreríamos bem. Mas, se existe uma escada a subir, alguns sobem na escada do entendimento da vida e aceitam mais resignados ou resilientes as suas condições e intempéries. O fim da vida é apenas o fim da vida, merece tanta dignidade quanto os outros pedaços. Dignidade que nos preenche e nos falta ao longo do percurso.
Com sorte teremos aproveitado os momentos em que encontramos pares, as alegrias pontuais e belezas fugazes. É o possível e precioso ar da vida.