sábado, 24 de agosto de 2019

Escrevendo-me

Escrevo pra mim. Quero que seja bom, não quero que seja ruim. Escrevo de mim. Não exponho porque não quero críticas, nem achismos. Quem não sabe de mim sou eu. Não queira saber, nao queira dizer.

Escrevo por angústia de não saber, de não ser, de faltar. Escrevo pra depois lembrar quem fui e por onde passei. Escrevo mostrando uma marca que fiz e que fizeram em mim.

Escrevo um pouco, nunca o suficiente. Escrevo e o texto se esgarça como um tecido, parece poído, velho, gasto. Muitas vezes não gosto. Muitas vezes me exalto. Me exalto por dizer do que não sei, de usar as palavras que vierem apesar das que faltaram.

Queria ser reconhecida, dizer do que ecoa nos outros - os penso tão sós quanto eu - mas me contento em ter meus textos pra mim. Penso: será que um dia haverá um alguém que me lê, me valoriza e que julga com pesar que eu jamais tenha compartilhado de meu mundo com o mundo?

Coisas loucas... Ouço risos. Preciso negar que sejam pra mim, que sejam de mim. Sei que não são. Rejeito a ideia de que ridicularizam o que digo. Os risos que ouço são uma resposta a minha fragilidade de não prestar. Eis o meu caminho dividido: assumir que não presta e que, assim sendo, que riam pois não espero mais que isso ou seguir sabendo que há um valor e que os que riem não sabem, não percebem e não usufruem da riqueza que sou.

Decifro-me e devoro-me.

13.06.2015

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