Quando será que isso passa a ser pejorativo? E o que fazer comigo, com a minha criança?
Aprendemos tanto na infância e tamponamos alguns impulsos. Que bom. Tudo livre demais não dá muito certo, dá uns choques. Logo vemos isso nos encontros infantis. Quanto mais infantis mais difíceis ou até impossíveis são os encontros. Num primeiro momento, antes dos dois anos, não há sequer interesse numa relação de brincadeira efetiva. A partir dos dois anos começa o interesse, mas é muita crise, tudo é meu, tudo é do meu jeito, uma explosão sentimental pouco contida ou até nomeada (o que também é uma forma de contorno). E começam os jogos de relação, os aprendizados, o balaceamento complicado entre as exigências internas e as externas, o que é possível havendo amor. Porque aquela historia de que o amor "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" é balela das boas. O amor é desafio, é construção árdua, é contrato e cumplicidade.
E daí crescemos, ficamos adultos, maduros, prontos. E infantil vira xingamento. O infantil está sempre no outro... o outro, que.deveria ter crescido e perdido aquele traço que eu perdi (ou que nem perdi, mas não reconheço em mim). Crescer é perder a infância. Daí se vê como é difícil crescer. Ainda que alguns tentem dizer que criança é que é feliz. É feliz porque nao perdeu de todo. Mas vive a perder: um monte de nãos diários e constantes. Meu filho diz "dá uma vontaaaaade". As vezes ele nao se controla e age. Ele é criança. E eu vou lá de novo e persistente, tentar de forma amorosa que ele possa passar pela própria vontade em nome de uma ordem, de um viver em conjunto, da coletividade. Em nome de ser amado e poder amar, eis a verdade.
E o infantil, as vezes tão reprimido, não permite sequer o prazer de ser quando é espaço adequado. É espaço de verdade do ser. Certo dia ia ficar com um grupinho de crianças de 2 anos. Quando as mães se ausentaram, uns chorinhos apareceram. E com eles a minha angústia apareceu. Comecei uma história e cheia de gestos e movimentos os choros foram dando lugar a surpresa. Eu estava satisfeita e realizada até chegar um adulto no meio de toda a cena. Segui com um desconforto sem fim, frio na barriga. Outras preocupações estéticas se faziam presentes em mim. O infantil que me toma e domo como a um dragão. O infantil não é apenas o ser livre pra criar uma história e ser a história. O infantil de nao ser livre pra ser a história no meio das crianças. É preciso muita maturidade para ser infantil e permitir-se permeável. É preciso muita maturidade para não permitir que o infantil aja por cima de nós, além de nós, traindo nosso crescimento e revelando nossos calos nas nossas histórias. É preciso maturidade para ver o infantil batendo a porta e dar passagem ou dar um abraço e calar.
Aprendemos tanto na infância e tamponamos alguns impulsos. Que bom. Tudo livre demais não dá muito certo, dá uns choques. Logo vemos isso nos encontros infantis. Quanto mais infantis mais difíceis ou até impossíveis são os encontros. Num primeiro momento, antes dos dois anos, não há sequer interesse numa relação de brincadeira efetiva. A partir dos dois anos começa o interesse, mas é muita crise, tudo é meu, tudo é do meu jeito, uma explosão sentimental pouco contida ou até nomeada (o que também é uma forma de contorno). E começam os jogos de relação, os aprendizados, o balaceamento complicado entre as exigências internas e as externas, o que é possível havendo amor. Porque aquela historia de que o amor "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" é balela das boas. O amor é desafio, é construção árdua, é contrato e cumplicidade.
E daí crescemos, ficamos adultos, maduros, prontos. E infantil vira xingamento. O infantil está sempre no outro... o outro, que.deveria ter crescido e perdido aquele traço que eu perdi (ou que nem perdi, mas não reconheço em mim). Crescer é perder a infância. Daí se vê como é difícil crescer. Ainda que alguns tentem dizer que criança é que é feliz. É feliz porque nao perdeu de todo. Mas vive a perder: um monte de nãos diários e constantes. Meu filho diz "dá uma vontaaaaade". As vezes ele nao se controla e age. Ele é criança. E eu vou lá de novo e persistente, tentar de forma amorosa que ele possa passar pela própria vontade em nome de uma ordem, de um viver em conjunto, da coletividade. Em nome de ser amado e poder amar, eis a verdade.
E o infantil, as vezes tão reprimido, não permite sequer o prazer de ser quando é espaço adequado. É espaço de verdade do ser. Certo dia ia ficar com um grupinho de crianças de 2 anos. Quando as mães se ausentaram, uns chorinhos apareceram. E com eles a minha angústia apareceu. Comecei uma história e cheia de gestos e movimentos os choros foram dando lugar a surpresa. Eu estava satisfeita e realizada até chegar um adulto no meio de toda a cena. Segui com um desconforto sem fim, frio na barriga. Outras preocupações estéticas se faziam presentes em mim. O infantil que me toma e domo como a um dragão. O infantil não é apenas o ser livre pra criar uma história e ser a história. O infantil de nao ser livre pra ser a história no meio das crianças. É preciso muita maturidade para ser infantil e permitir-se permeável. É preciso muita maturidade para não permitir que o infantil aja por cima de nós, além de nós, traindo nosso crescimento e revelando nossos calos nas nossas histórias. É preciso maturidade para ver o infantil batendo a porta e dar passagem ou dar um abraço e calar.
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