segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Mestre, me dá licença de falar?

Senhor, senhor,
Foste-me apresentado como mestre
Nome pesado, nome errado...
Ponderei sua mestria, me chateei, chorei
Senti-me traída, desiludida, fui embora
Apesar de sua modéstia, seu jeitinho manso
Acreditei num mito como se verdade fosse
Me entreguei de cabeça, uma proposta doce
Procurei, procurei, procurei
Fui encontrando o mestre dentro de mim
O mestre que sou em mim
E os mestres aí fora não passam de conselheiros
A quem escuto ou não segundo meus critérios
Sou meu próprio guia, responsável pelo meu caminhar
Irresponsável, certamente, humana
Busco ser minha própria mãe
Busco a mulher/sujeito que minha mãe é
Cuido de minha vida, cuido dos meus amores o melhor que posso
Tenho uma estrada
O rancor ou frustração se dissolveram
E busco no dito mestre, um homem
Olhando pro homem, me compadeço
Pela sua humanidade também
Pelos seus limitados possíveis, como os meus
Pelo lugar duro que ocupa, impossível
Mas que também semeia e colhe suas flores
Te vejo hoje com carinho
Figura paterna, carinhosamente me guiava
Ouvia, me via, fazia de mim alguém
Por ti tanto amor eu tive também
Misturado num espelho e num quadro perfeito
Que caído na lama, sem sentido, um drama
Acabou para mim, falido, um fim
Toda imagem, todo afeto mudou, meu bem
Imatura, chateada, desorientada
E hoje te enxergo de novo, de outro jeito
E não vendo um mestre, mas um sujeito
Te reconheço, te admiro, te agradeço
Porque entendo que o bem que me ofereceu
Era todo seu
Não meu
Mas era seu
E me ressurge a vontade de conhecê-lo
Um homem por quem tenho sim apreço
Desejo-te o bem, desejo a mim também
Fecha-se um grande ciclo
Inicia-se outro, cheio de possibilidades
Um abraço, meu amigo, 
Senti vontade de te falar...



Nenhum comentário:

Postar um comentário