quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Um olhar pra mim

 Quando vou a São Paulo me encontro com uma parte de mim que conheço pouco. É também uma parte de outros que, diferentes de mim, fazem parte de quem sou. Uns mais outros menos. 

 Quando vou a São Paulo sinto-me grande e pequena. Sinto um cuidado, um carinho, tão particular, terno, estranho. Sinto que sou alguém e que, sem dúvidas, confiam em mim mais que eu mesma.

Sempre que lá estou sinto que tem um lugar pra mim no mundo. Que meus possíveis são mais amplos, que eu poderia arriscar. Lamento que são momentos num tempo-espaço. Que são limitados, bem pequenos, na verdade.

Também me passa um medo de não cumprir com o que se espera, de frustrar-me com visões da minha pequeneza, afinal, uma parte dela é o valor que vejo na vida. É o que sou.

E desconfio e me pergunto se na verdade essa potência de ser que tenho quando estou lá com aquelas pessoas tão fortes em mim e pra mim é de uma imagem que não é bem minha, mas com a qual me encanto vendo-a nos olhos que me vêem.

Não sei ao certo se quero o caminho que me destinam. Ele é belo e seduz. Não sei se o vejo nítido, se ele me pertence. Não sei se me alegro com um olhar que me vê a mais do que sou ou se me agarro e vou. 

Percebo que em poucos dias a carruagem virou abóbora. E eu, virei o que? Será que veriam valor no que de fato sou? Se arriscariam em me perder e olhar para além daquela imagem? Imagem que é eu e não-eu, que me alegra e me assusta, que me dá ao menos um lugar, eu, tão sem lugar... mesmo que eu não saiba bem que lugar me dão, qual eu quero e qual eu tenho... 

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