domingo, 20 de julho de 2025

Reset

A vida é o que é. Tem momentos que nos parece tão claro, tão evidente que as coisas são como são. E vamos caminhando, observando, pensando a partir dessas perspectivas que criamos.
Mas o encontro com pessoas admiráveis nos faz ponderar.
Há vivências fortes demais que nos fazem ponderar.
Seja no amor ou na dor, temos oportunidades de novas vidas na vida. A vida não muda. Mas a gente se muda na vida. Mudam as lentes, os valores. E nós mudamos. Parece que a vida é outra, que as cores, agora tão evidentes, não estavam ali antes. Estavam. Todos os matizes estão. Mas acontece um reset. E dizemos: daqui pra frente sou outra pessoa. Sou?
As chances que temos de adentrar nessa percepção, de que há um infinito de formas de olhar pras mesmas coisas e que isso muda as coisas e que isso muda quem somos, são significativos presentes. Nos torna mais possíveis de adentrar no olhar do outro, com compaixão ou até cumplicidade. Nos possibilita menor enrijecimento quando vemos o que chamamos de realidade. E, me pergunto, até que ponto percebendo que criamos nossa realidade, o quanto podemos ser autorais nessa obra final? 
Uma parte dessa plasticidade é a resiliência. Entre a romantização do que se atravessa e o assolamento nas dificuldades há um caminho. E esse caminho, que envolve um caminhar, é justamente um dos valores da vida.
E quem sou diante dessas mudanças? Outra pessoa? Como? Se a minha história segue escrita, se eu observo o que eu era e entendo o meu lugar...? Mas agora posso ocupar outro espaço a partir do meu olhar modificado. Vida, uma máquina de moer alma. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário