quarta-feira, 9 de julho de 2025

Sexo frágil

Essa semana eu me vi mobilizada por duas meninas da escola - nunca sei se digo "a minha escola" ou se digo "a escola dos meus filhos".

Uma delas sente-se triste ao ser sistematicamente chamada de maluca. A outra responde com maturidade a perguntas e risinhos sobre o "bigode" que ela tem, o chamado buço.

Depois de algumas intervenções me vi chorando conversando com meus meninos como essas problemáticas se relacionam com algumas perguntas deles como "por que existe dia das mulheres e não existe dia dos homens?" ou "por que as mulheres usam sutiã?". Relatei a eles pormenorizadamente como lidei com o fato de ter buço ao longo da vida. A menina de 7 anos já dá aula: "isso é coisa de mulher, algumas tiram mas eu ainda sou criança". E dá aula a que custo? O de justificar aquilo que foi considerado como uma diferença no seu corpo. Diferença essa que não é natural. Como ela bem disse: isso é coisa de mulher. Mas as mulheres, para serem mais mulheres, precisam tirar o buço. E nessa nossa bolha de mulheres sem buço parece que quem o tem tem algo de anormal.

Achei massacrante. Assim como os sutiãs com bojo. Ou seja, o principal produto na seção dos sutiãs. Sobram uns poucos modelos sem ele. Assim como tantos produtos dirigidos às mulheres com enfoque na beleza e na produção de um corpo dito feminino mas que não corresponde ao que de fato é o corpo de uma maioria de mulheres. Ainda me lembro de um livro que li quando adolescente que mostrava uma variedade de formatos de seios. O livro dizia: todos são certos, todos são belos. De cara eu vi que era mentira. Todas as modelos de revista ofereciam outra verdade, nas revistas para mulheres haviam modelos padronizados. Ainda lembro de uma revista da Avon que vendia sutiã especial pra juntar e levantar os seios. Comprei. Era bem incômodo e eu me sentia muito mais bonita.

Lembrando de tudo isso, olhando para trás com os olhos de hoje, vejo como é massacrante ser mulher. Eu chorei. E contando de novo, chorei de novo. E eu dizia: ela tem apenas 7 anos... E pensava: será que estou muito emotiva? Será que estou pré-menstrual?

Me respondo: que bom poder ser sensível a isso que é o absurdo. Que boa oportunidade me ofereço se for por estar pré-menstrual. Sexo frágil? Vejo a fortaleza dessa guria, respondendo firme que seu corpo está correto. Eu também me tornei firme descobrindo e redescobrindo como serei mulher nesse mundo. Mas dói. Não dá pra ser mulher sem ser o sexo frágil. Não há quem resista a tanto ataque. E, por outro lado, é com muita força que lutamos por um lugar no mundo. Da insistência fazemos resistência. E mudamos o mundo.

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