Vim escrever uma coisa nova. Pensei no dia cheio de atividades, tantas singelezas para relatar e... pouco de mim pra dar. Fui mãe a maior parte do dia. Não que ser mãe não seja eu. Sou muito mãe. Mas ser mãe é ser num outro, por um outro. Do meu jeitinho único de ser a mãe que sou. Mas é num se dar tão intenso que minhas questões são secundárias, meus desejos têm pouco lugar.
Onde mais me vi hoje foi na minha sensação de vergonha do corpo. Ela ainda é muito presente. Hoje simplesmente assumo que o corpo que tenho é esse e que não me interessa os que não puderem conviver comigo como sou. Ainda mais corpo... a parte menos importante do que sou.
Apesar disso, me sentia na boca do povo. Indiscreta, motivo de assunto ou até de chacota. E, como confio pouco nos humanos que me cercam, não creio que comentassem como meus filhos pulavam felizes no meu colo ou como eu descontraía meu mais novo com brincadeiras para ele não ficar focado na água tão fria... ou como estávamos unidos fazendo um lanchinho saudável. Se falassem seria do que em mim destoava. Uma pena, mas é assim que somos. Tento não sê-lo.
No mais, pouco pude respirar com atenção. Toda a atenção é para fazer valer a pena, é pela proteção dos pequenos na água, nas pedras, na trilha. É ser apoio, indicar caminho, levantar do tombo. É incentivar experiências, mostrar a eles que ali se passa uma parte da nossa história e ensinar a preservação do espaço e os valores que cultivamos. Olhar a horta, as borboletas, as diferentes plantas e o movimento das águas. E vivendo com eles a gente também está ali, tão presente. Mas nesse se dar a gente revive o passado e constrói com eles um presente, um presente muito mais deles do que nosso. Ou não exatamente isso. A questão é que muito do que somos fica em segundo plano. Nosso presente é sermos os pais.
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