quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Você aprendeu a amar?

 Hoje eu estava ouvindo um livro que comentava sobre como as mulheres amam. O modo mesmo, de que maneira. E fiquei me perguntando sobre quem teria me ensinado como era ou deveria ser o meu modo de amar, afinal de contas eu sou mulher e há quem escreva sobre observações dos amares das mulheres. E embora muitas coisas me disseram sobre como uma mulher é no mundo, de repente percebi que sobre o tema do amor talvez eu estivesse muito despreparada. E o pior: não é despreparada para amar em si, mas amar formalmente falando, guias, instruções... aconteceu de eu ter encontrado caminhos por vias não muito seguras, a partir de observações e impulsos. Essa experiência criou para mim uma grande questão de quantas mil outras coisas eu fazia ou me apresentava de certas formas sem que eu estivesse devidamente preparada para assumir aqueles papéis. Por outra via, me pergunto para que funções eu estou definitivamente preparada.
A profissão que escolhi é das coisas mais loucas que esistem. Sou onde não penso, a gente estuda pra aprender a não saber. E é muito difícil, pode ter certeza. Como você vê: estou às voltas por tudo que eu gostaria de saber fazer adequadamente. Minha inadequação é, por um lado, absoluta, por outro, sou verdadeira marionete da cultura. Falam sobre como eu amo sem sequer terem me perguntado! E ainda me identifico! Um absurdo daqueles! 
Outro dia me falavam sobre o abraço espontâneo ser bem-vindo e o abraço burocrático, aquele que é dado porque assim deve ser feito, não ser. Mas a verdade é que aprendemos os momentos em que se dá um abraço como resposta. Os abraços mais verdadeiros ou mais burocráticos são todos atravessados pelo modo de fazer que aprendemos. Incorporamos esse modo de viver e ler o mundo. E até de criticar e tentar mudar os modos estruturados. 
Tão curioso... Porque queremos a autonomia de sermos nós mesmos, de termos um lugar autoral. Mas estar dentro da cultura é preciso, a forma, os limites, tentativas de dialogar com o que já é consolidado trazendo para uma discussão da coletividade. Estar fora da cultura, adquirindo formas muito próprias de amar gera desconexão, estranhamento. É o louco, assumindo uma forma muito própria, porém incompreensível. Precisamos de pequenas fissuras pra loucura entrar. Deslizes que garantem a nossa particularidade. E a legitimidade, que tem um viés legal, aquilo que participa da norma, mas também tem autenticidade, marca própria. Será assim o nosso amor?

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