Só Ana? Ana+1. Ana cheia. Amigos e familiares. Ana só, sem amparo, sem palavras, sem ninguém. Sei só, sempre. Só sei ser Ana. Quando aprender ser só ou não. Ser sem. Ana vazia, Ana.
Potência de ser. De vir a ser. Ele já é. Ser ou não-ser. Ele virá a ser, gente ou nada. Ele ficará na faca e eu ficarei sem ele. E sem ele, sei, ele é potencialmente tudo. Tudo o que não deixei sê-lo.
Será para sempre o que poderia ser, em mim. Em mim é, nunca nada, só o melhor. O que desejamos, raio de luz. Só, sem mim. O guardo, o conforto, o gero ou o mato. Meu primeiro filho.
Se invisto, temo. Temo não sê-lo, não ser o meu, não ser o filho. Ser coisa estranha, filho de doença, filho da maldade, ser o que não quero. Se apareces é por erro. Erro absurdo da vida, que colocou em mim outro filho que não o meu. O meu lindo, que ri, que corre, que aprende. Doente cai dos infernos, dos insetos, da solidão que há.
Vem luz dentro de mim. Vem alegrar nossa vida. Vem ocupar o lugar que já é seu. E você, demônio, se afasta de mim, não te quero, não te crio. Seu espaço é nos meus pesadelos e dou-me o direito de acordar e sonhar de novo. Meu corpo não te pertence e que duro te confundir com a glória.
Decidirei eu se é luz que me agracia ou se é treva que me invade? Decidirei, de olhos vendados, se te mato ou conduzo? Tu que és feito dos sonhos, dos corpos, do que há. Sou Ana, só. Só. Tão só.
21março2016
Fantástico... que lindo.
ResponderExcluir