quarta-feira, 1 de maio de 2019

Hoje nos vimos no parque

Hoje nos vimos no parque.
E pensei de quantos desencontros se faz um encontro
Eu te olhei nos olhos e reconheci o sorriso
Eu vi o passado, viajei
E sabendo que produzimos com o tempo já não tenho dúvidas de que não nos conhecemos
Você me chama pelo nome
Eu sei bem o seu também
Quase perguntei: você votou no Bolsonaro?
As vezes uma pergunta encurta bem o papo e esclarece muitas coisas
As vezes é melhor não saber
Você me pergunta: são seus filhos? Digo que sim.
Será que só nessa pergunta você entende que todas as minhas células mudaram de 2 anos para cá ao menos duas vezes? Ter filhos nos faz outras pessoas. Não nos conhecemos ha 20 anos... e seus filhos! Nossa! Como são grandes!
Você ainda sabe meu nome e eu sei bem o seu
E apesar das poucas palavras há alguma saudade
De um tempo, de um céu, da madrugada, do som.
Lembrei-me de um dia quando encontrei um irmão teu. Ah! Que alegria! Eu o admirava e só de vê-lo meu coração transbordava. Corri. Dei nele um abraço terno. E ao tocá-lo percebi que nao era ele. Ou não era eu? Não éramos nós. Ele parecia uma tábua e eu me senti tão estranha. Também não mais trocamos palavras, sai envergonhada de amar. Ele estava certo: o menino para quem eu olhava naqueles olhos já havia morrido. Eu não sabia... Como pudera não saber? E os meus braços já tão gastos também sequer foram reconhecidos.
E hoje, do mesmo modo, vi um morto-vivo.
E é tão triste a morte...
Por vezes é melhor ficar com a saudade.
Os mortos tem seu valor enquanto os vivos trabalham duro pra conquistar algum.
E assim vamos passando pela vida: vivendo e morrendo até um fim.

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