Na barriga crio um corpo
O corpo de um filho
Suas engrenagens e detalhes
Ficamos observando
Perfeitas que são
De nossos corpos fez-se
O corpo, único, o dele
E vendo-o, me vejo
Eu em meu corpo
Eu num corpo estranho
Sem filho, sem forma
Eu cortada, com dor
Na alma
Eu chorando, sangrando,
Com prisão de ventre
Eu sem roupa, com leite
Me dando
Eu sem roupas, me cubro
O corpo que oculto
Eu que não quero vê-lo, velo
E disforme desde sempre
O corpo que o culpo
Eu que não nasci bela
E de repente eu me vejo
O corpo que ocupo
Eu num corpo onde moro
E grata por existir e dar existência
Eu me vejo templo de mim
Num corpo novo
De formas tão únicas e sagradas
Eu que não sou modelo de nada
Fui protótipo de outro corpo
E é de meu leite, meu sangue e minhas lágrimas
Quem sabe de minhas costelas,
Minhas risadas e meu olhar
Que surgimos juntos
Ele e eu
Ele com seu corpo perfeito
E eu com o meu possível
😢😍😭
ResponderExcluirpoderia nem ter me dito q foi vc que escreveste que saberia. maravilhoso relato de sentimentos.
ResponderExcluirAna, mulher!!! Isso é lindo e muito impactante. Obrigada por compartilhar. :')
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